Luis Zubeldía leva ao limite a montagem da equipe que enfrentará o Bahia, neste domingo, no Maracanã, e usará o treinamento deste sábado, no CT Carlos Castilho, para bater o martelo sobre a escalação do Fluminense na rodada final do Campeonato Brasileiro.
Em jogo, mais do que os três pontos: a vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2026 e o peso de um confronto direto com um concorrente direto pela parte alta da tabela.
O duelo está marcado para este domingo, às 16h, no Maracanã, pela 38ª rodada do Brasileirão. O Fluminense ocupa a quinta colocação, com 61 pontos, enquanto o Bahia aparece logo atrás, com 60, o que transforma o encontro em uma espécie de “final” pelo último lugar no grupo dos classificados diretos ao torneio continental.
Uma vitória tricolor garante matematicamente a vaga direta, enquanto qualquer tropeço abre espaço para ultrapassagem de um concorrente como o Botafogo.
Treino de sábado define a espinha dorsal
Zubeldía chega ao sábado com uma base bem encaminhada, mas ainda com decisões sensíveis a tomar em pelo menos três setores: zaga, meio-campo e ataque.
O técnico terá novamente à disposição o zagueiro Thiago Silva e o atacante Agustín Canobbio, que retornam após desfalques recentes e tendem a reassumir posição entre os titulares.
No sistema defensivo, a principal mudança projetada é a entrada de Thiago Silva no lugar de Ignácio, reforçando a linha de quatro formada com Fábio no gol, Samuel Xavier, Thiago Silva, Juan Freytes e Renê.
A definição, contudo, passa pela avaliação física final do experiente zagueiro na atividade deste sábado, em função da sequência pesada de jogos na reta final da temporada.
No meio-campo, a dúvida gira em torno de quem atuará ao lado de Martinelli: Hércules, recuperado e com força de marcação e chegada à frente, ou Nonato, titular na vitória sobre o Grêmio, em Porto Alegre.
A tendência, segundo a comissão técnica, é de que Hércules ganhe espaço entre os 11, mas a decisão final será tomada após o último treino.
Canobbio volta e empurra Soteldo para o banco
No setor ofensivo, a volta de Canobbio, que cumpriu suspensão, deve provocar a alteração mais simbólica da equipe: Yeferson Soteldo, destaque recente com gols e participações importantes, deve começar no banco.
A ideia de Zubeldía é recompor o trio de frente com um jogador mais intenso na recomposição pelo lado e com maior participação sem bola, característica que o uruguaio oferece.
Pelos desenhos testados ao longo da semana, a formação ofensiva tende a alinhar Lucho Acosta centralizado, com Kevin Serna e Canobbio pelos lados e Everaldo como referência mais adiantada, mesclando mobilidade e presença de área.
Em algumas projeções, Serna também pode atuar mais por dentro, abrindo corredor para a infiltração do lateral pela direita.
Com isso, a provável base tricolor para encarar o Bahia é: Fábio; Samuel Xavier, Thiago Silva, Freytes e Renê; Hércules (Nonato) e Martinelli; Lucho Acosta; Canobbio, Serna e Everaldo.
Desfalques e impacto nas opções de banco
Se por um lado Zubeldía ganha reforços importantes, por outro lida com baixa relevante no meio-campo.
O meia Lima está suspenso por acúmulo de cartões e não poderá ser utilizado, o que reduz uma alternativa de rotação entre segunda linha de meio e ponta articulador.
No departamento médico, o clube ainda monitora outros nomes, mas sem novos desfalques de última hora entre os considerados titulares para o jogo diante do Bahia.
A maior preocupação, de acordo com relatórios internos de performance, é o desgaste acumulado pela sequência de partidas decisivas, o que leva a comissão técnica a ponderar minutagem de alguns jogadores, especialmente veteranos.
A configuração do banco tende a mesclar jogadores experientes e jovens: Soteldo, Nonato ou Hércules (quem não iniciar), Ignácio, Guga e opções de ataque como John Kennedy formam um leque importante para mudanças de desenho ao longo da partida, seja para buscar resultado, seja para controlar vantagem.
Libertadores e Copa do Brasil no radar
A decisão de Zubeldía não considera apenas o peso do confronto direto com o Bahia. A proximidade das semifinais da Copa do Brasil, contra o Vasco, marcadas para os dias 11 e 14 de dezembro, também entra na equação.
O calendário apertado obriga a comissão técnica a trabalhar com cenários: um time plenamente titular no domingo, arriscando maior desgaste, ou uma formação mista, com gestão de minutos ao longo dos 90 minutos.
Internamente, há consciência de que a vaga direta na Libertadores impacta planejamento esportivo e financeiro para 2026, o que torna o Brasileirão prioridade imediata.
A tendência, por isso, é que Zubeldía inicie com força máxima possível e utilize substituições para administrar fisicamente peças-chave, sobretudo Thiago Silva, Renê, Acosta e Canobbio.
Bahia também chega forte e pressiona o cenário
Do outro lado, o Bahia de Rogério Ceni também encara o duelo como decisão.
Com 60 pontos e já garantido ao menos no bolo da Libertadores, o time baiano precisa vencer no Maracanã para assegurar a vaga direta sem depender de combinação de resultados.
A provável formação do Bahia indica força máxima: Ronaldo; Santiago Arias, Kanu, Santiago Mingo e Luciano Juba; Acevedo, Rodrigo Nestor e Everton Ribeiro; Ademir, Erick Pulga e Willian José. O time tricolor vive bom momento ofensivo, vem de resultados positivos recentes e busca quebrar um incômodo jejum de vitórias como visitante no Brasileirão.
O encaixe tático promete confronto de alta intensidade pelos lados do campo, com Juba e Ademir explorando o corredor esquerdo, enquanto Arias e Erick Pulga dão profundidade pela direita.
O meio-campo, com Acevedo na proteção e Nestor ao lado de Everton Ribeiro na construção, deve pressionar a saída curta do Fluminense e testar a capacidade de Acosta e Martinelli em acelerar a transição ofensiva.
Clima de decisão no Maracanã
Com mais de dezenas de milhares de ingressos já comercializados antecipadamente, a expectativa é de Maracanã cheio e clima de jogo eliminatório na despedida do Brasileirão.
A torcida tricolor abraçou a reação da equipe sob o comando de Zubeldía, que chega ao encerramento da competição em sequência consistente de resultados e desempenho sólido contra rivais diretos.
A definição da escalação neste sábado, portanto, carrega peso estratégico: qualquer escolha de Zubeldía – seja por uma formação mais conservadora, com maior proteção de meio, seja por um time agressivo, com liberdade para Acosta e amplitude máxima com Serna e Canobbio – terá impacto direto não apenas no desfecho do campeonato, mas também na confiança para a sequência na Copa do Brasil.
Entre retornos, dúvidas e gestão de elenco, o Fluminense entra em campo no domingo com a missão clara de confirmar em 90 minutos o que construiu ao longo de 38 rodadas.
A última palavra sairá do gramado do CT Carlos Castilho neste sábado, quando o treinador definirá, peça por peça, o time que tentará transformar a boa fase em vaga direta na Libertadores diante de um Bahia igualmente ambicioso.

