Logo no primeiro minuto de bola rolando, Zanotti abriu o caminho da goleada com um gol típico de meia que chega na área, e ainda participou diretamente da construção do segundo gol, marcado por Ludmila.
Mais tarde, Dudinha, Isabela e Bia Zaneratto completaram o marcador, coroando uma atuação consistente e dominante do Brasil do início ao fim.
Show de Zanotti em Aveiro
A partida teve início em ritmo avassalador. Com menos de um minuto, Dudinha avançou em velocidade pela direita e cruzou com precisão para a área.
Livre na pequena área, Gabi Zanotti se antecipou à marcação e cabeceou no canto, abrindo o placar e desestabilizando Portugal logo na primeira chegada brasileira.
O gol cedo deu tranquilidade ao time e evidenciou o papel de Zanotti como referência criativa. Aos 16 minutos, a meia voltou a aparecer, desta vez como garçom.
Em lance de transição rápida, encontrou Ludmila com um passe em profundidade. A atacante arrancou pela direita, invadiu a área e finalizou no contrapé da goleira Inês Pereira, fazendo 2 a 0 mesmo com pouco ângulo para a finalização.
Ainda na etapa inicial, aos 36 minutos, a superioridade brasileira se transformou em goleada parcial.
Depois de nova jogada em velocidade pelo lado direito, Ludmila levou a marcação e serviu Dudinha, que bateu de primeira para marcar o terceiro gol, consolidando o domínio absoluto da seleção antes do intervalo.
Zanotti deixou o gramado no segundo tempo já com números expressivos: um gol, uma assistência direta, participação em outra jogada decisiva e presença constante entre linhas, dando suporte à pressão alta e às transições rápidas desenhadas por Arthur Elias.
Forte presença corinthiana em campo
O amistoso em Aveiro também ficou marcado pela forte presença corinthiana na escalação e na estrutura da equipe.
Entre as convocadas para a Data Fifa que incluiu os jogos contra Noruega e Portugal, o Corinthians teve representantes em praticamente todos os setores: a goleira Lelê, a zagueira Thais Ferreira, a defensora Mariza, a meia Duda Sampaio e a própria Zanotti, além de outras atletas que mantêm vínculos recentes com o clube.
Na formação inicial diante de Portugal, Arthur Elias escalou Lelê no gol, Thais Ferreira na defesa, Duda Sampaio no meio-campo e Gabi Zanotti no setor de criação, reforçando um eixo corinthiano já bem adaptado ao modelo de jogo do treinador.
Mariza também esteve à disposição no banco de reservas, compondo o bloco defensivo.
Esse núcleo alvinegro não se limita à presença numérica.
O estilo de jogo implementado na seleção guarda semelhanças com o Corinthians campeão em diversas frentes sob o mesmo técnico: intensidade na pressão pós-perda, valorização da posse com mobilidade constante no meio-campo, uso agressivo das laterais e forte participação das meias na infiltração entre as linhas rivais.
A atuação em Aveiro reforçou essa impressão. Lelê teve atuação segura, ainda que pouco exigida, já que Portugal produziu poucas finalizações perigosas. À frente dela, Thais Ferreira mostrou firmeza nos duelos e boa saída de bola, permitindo que o time progredisse com passes curtos e diagonais.
No meio, Duda Sampaio foi peça importante na circulação e no primeiro passe vertical, enquanto Zanotti comandou o setor ofensivo, aparecendo tanto na área quanto na construção pelo centro.
Domínio do início ao fim
O roteiro da partida deixou claro o desnível entre as duas seleções no amistoso.
Desde o apito inicial, o Brasil pressionou a saída de bola portuguesa, forçou erros, recuperou rapidamente a posse e explorou as laterais com triangulações e deslocamentos coordenados.
Portugal tentou reagir recuando as linhas e compactando o bloco defensivo, mas não conseguiu neutralizar a movimentação das atacantes brasileiras, especialmente na primeira etapa.
Quando ameaçou sair jogando, esbarrou na marcação alta bem encaixada, com as meias fechando as linhas de passe e as pontas pressionando as laterais adversárias.
No segundo tempo, com a vantagem confortável de 3 a 0, o ritmo naturalmente caiu, mas o controle da partida permaneceu brasileiro. As substituições efetuadas por Arthur Elias mantiveram o nível competitivo e ainda produziram mais dois gols.
Aos 27 minutos da etapa final, Isabela, que acabara de entrar, aproveitou cobrança de escanteio fechada para subir mais do que a defesa portuguesa e desviar de cabeça, anotando o quarto gol – o primeiro dela com a camisa da seleção principal.
Pouco depois, já nos minutos finais, Bruninha foi derrubada na área e o pênalti foi assinalado. Bia Zaneratto, outra que saiu do banco, cobrou com tranquilidade, deslocando a goleira e fechando a goleada em 5 a 0.
O placar, ainda que expressivo, refletiu de maneira fiel o que se viu em campo: uma seleção brasileira agressiva, bem organizada e com mais repertório ofensivo, diante de um adversário que pouco conseguiu criar e terminou limitado ao papel de espectador de um jogo controlado pela equipe visitante.
Resposta após tropeço e fechamento de temporada
O amistoso contra Portugal encerrou a última Data Fifa do ano para a seleção feminina e serviu também como resposta imediata ao tropeço diante da Noruega, adversária que havia imposto uma derrota por 3 a 1 às brasileiras dias antes, em jogo disputado na Espanha.
Ao contrário do que aconteceu diante das norueguesas, quando a equipe mostrou dificuldade para reagir após sair em desvantagem, o Brasil apresentou em Aveiro um desempenho maduro, mantendo concentração durante os 90 minutos, administrando a vantagem e evitando desconcentrações defensivas.
O resultado ganhou ainda mais peso por ser o último compromisso da seleção em 2025, um ano marcado pelo título da Copa América Feminina e por bons resultados contra seleções europeias em amistosos, como as vitórias contra Inglaterra e Itália em janelas anteriores.
A goleada sobre Portugal reforçou a sensação de evolução coletiva e consolidou o ambiente positivo na reta inicial do ciclo rumo à Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil.
DNA corinthiano na seleção de Arthur Elias
A forte presença de jogadoras do Corinthians – somada à trajetória recente de Arthur Elias, multicampeão pelo clube antes de assumir a seleção – ajuda a explicar a rápida assimilação de ideias e a identidade já perceptível no time nacional.
No Corinthians, o treinador desenvolveu um modelo baseado em intensidade, pressão alta e alta rotatividade no ataque, com meias técnicas participando ativamente da construção e da finalização.
Gabi Zanotti, peça central daquele projeto, reproduz na seleção um papel similar, como meia que pensa o jogo, quebra linhas com passes verticais e chega como elemento-surpresa na área, como demonstrado no gol marcado logo no primeiro minuto contra Portugal.
Atletas como Lelê, Thais Ferreira, Duda Sampaio e Mariza, acostumadas a esse estilo de jogo no clube, funcionam como pilares na transição do modelo de Corinthians para o ambiente da seleção, acelerando o entrosamento e servindo de referência para companheiras de outros clubes.
Esse “fio corinthiano” também se manifesta na maneira como o time administra vantagens. Em Aveiro, mesmo com 3 a 0 ainda no primeiro tempo, a seleção continuou pressionando e buscando o quarto e o quinto gols, sem abandonar a proposta ofensiva ou recuar excessivamente.
A postura remete ao Corinthians dominante da era Arthur Elias, conhecido por manter o ímpeto independentemente do placar.
Amistoso que vale mais do que o placar
Embora se trate de um amistoso, a goleada por 5 a 0 sobre Portugal carrega simbolismos importantes.
A partida consolidou o protagonismo de Zanotti em nível de seleção, reforçou a relevância das corinthianas no projeto de Arthur Elias e mostrou que o Brasil é capaz de impor seu jogo diante de uma seleção europeia em fase de crescimento, mesmo atuando fora de casa.
O resultado, somado ao desempenho coletivo, fortalece a ideia de que a seleção entra em 2026 com uma base sólida, um modelo de jogo claro e um elenco em que a espinha dorsal passa, inevitavelmente, por atletas formadas, lapidadas ou potencializadas no Corinthians.
Em Aveiro, o placar elástico foi a face mais visível de um processo que vai além do amistoso: a consolidação de um Brasil com forte sotaque corinthiano e com uma camisa 10 de origem alvinegra comandando o espetáculo.

