Max Verstappen não vê problema algum se a McLaren decidir recorrer a ordens de equipe para assegurar o título de pilotos em Abu Dhabi.
Na verdade, o tetracampeão mundial considera perfeitamente legítimo que a escuderia britânica utilize tais estratégias durante a corrida decisiva, caso necessário para impedir que Lando Norris perca a luta pelo campeonato.
Em Abu Dhabi, o cenário é tenso. Norris lidera o campeonato com 12 pontos de vantagem sobre Verstappen, enquanto Oscar Piastri encontra-se quatro pontos atrás do holandês.
A matemática favorece Norris: mesmo que Verstappen vença a corrida, o britânico garante o título ao terminar em terceiro lugar ou melhor. Tal configuração abre espaço legítimo para intervenções estratégicas da McLaren.
Questionado sobre o possível uso de ordens de equipe, Verstappen respondeu de forma direta: "É sempre melhor do que não ganhar nada. Quando você estiver em casa daqui a 20 anos, ainda terá aquele troféu na estante.
É isso que importa." O comentário reflete a pragmatismo do campeão, que após conquistar tudo que desejava na Fórmula 1, enxerga a disputa como um bônus.
O holandês reconhece que prever o comportamento de Piastri é impossível neste momento. "É impossível prever isso com antecedência. Não posso ler a cabeça do Oscar depois de tudo que aconteceu nesta temporada, então realmente não sei", afirmou Verstappen.
Durante a temporada, as relações entre Norris e Piastri enfrentaram tensões, particularmente após o GP de Las Vegas, onde ambos foram desclassificados.
Norris e Piastri afirmaram publicamente que não discutiram sobre ordens de equipe até o momento, mas a expectativa na paddock é de que se Piastri perder chances reais de título conforme a corrida progride, ele provavelmente oferecerá suporte ao companheiro.
Ainda assim, a McLaren formalmente indicou que não planeja impor ordens enquanto ambos os pilotos mantiverem viabilidade matemática de campeão.
Para Verstappen, o grande desafio permanece vencer a corrida. O piloto da Red Bull mantém perspectiva realista sobre as chances: a McLaren demonstrou superioridade técnica significativa, como exemplificado no GP do Catar, onde a escuderia desperdiçou uma vitória certa para Piastri e um pódio para Norris devido a um erro estratégico.
"Não acho que sejamos os mais rápidos. Só temos que tentar tirar o máximo do nosso carro. Isso é tudo o que podemos fazer, e depois temos que torcer para estarmos perto o suficiente", explicou.
Verstappen apresenta-se em Abu Dhabi descansado. Após recuperar-se de uma desvantagem de mais de 100 pontos durante a temporada, sua mentalidade reflete alívio mais que pressão.
"Estou muito relaxado, não tenho nada a perder. Estou curtindo a segunda metade da temporada", declarou o holandês. Para ele, chegar à última corrida com chance real de título já é vitória, independentemente do resultado final.
A disputa pelo campeonato de 2025 representa um cenário raro na Fórmula 1 moderna: três pilotos, dois principais competidores por equipe, e um campeão defensor que se recusa a sobrecarregar-se com as nuances políticas em volta dele.
Para Verstappen, a essência permanece simples e cristalina: o que importa é o troféu.

