O estado do Acre encerrou, em janeiro de 2026, um ciclo de reuniões da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan-AC), consolidando um importante momento de articulação entre secretarias e autarquias estaduais para o alinhamento de estratégias voltadas ao fortalecimento da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).
As reuniões, realizadas entre os dias 5 e 9 de janeiro, reuniram representantes de múltiplos órgãos da administração pública estadual em um processo de escuta e interação capaz de fortalecer a integração entre as pastas responsáveis pela implementação de ações de segurança alimentar e nutricional.
A chefe de departamento da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), Nilciany Vilaço, ressaltou a relevância desse diálogo intersetorial, afirmando que o encontro representou um momento importante de compreensão de dados e responsabilidades de cada órgão dentro da política de SAN.
A coordenação das ações conta com o apoio prioritário da secretária e vice-governadora Mailza Assis, que estabelece o combate à fome como uma das prioridades da gestão estadual.
A articulação entre secretarias não constitui um exercício meramente administrativo, mas um reconhecimento de que a segurança alimentar e nutricional demanda abordagem integrada e participativa, envolvendo diferentes setores da administração pública.
O presidente da Caisan-AC, Edivan Azevedo, avaliou o impacto das agendas realizadas ao longo da semana, destacando que as reuniões individuais com gestores e equipes técnicas foram fundamentais para que cada órgão pudesse visualizar seu papel dentro da política de SAN e contribuir com propostas de avanço.
Um dos resultados concretos dessa articulação é a criação de uma plataforma digital destinada a registrar e tornar públicas todas as ações relacionadas à segurança alimentar e nutricional no estado.
A implementação de uma plataforma digital representa um avanço significativo em termos de transparência e monitoramento das políticas públicas. A publicização de ações permite não apenas o acompanhamento pelo setor público, mas também o controle social por parte da sociedade civil e da população afetada pelas políticas de SAN.
Essa iniciativa alinha-se com diretrizes nacionais que enfatizam a importância da prestação de contas e da participação democrática na construção e implementação de políticas alimentares.
O vice-presidente da Caisan, Ricardo Brandão, enfatizou o alinhamento administrativo promovido pelo processo realizado, ressaltando que, em atendimento às orientações do governador Gladson Cameli e da vice-governadora Mailza Assis, foram reunidos todos os órgãos executores da política de Segurança Alimentar e Nutricional com o objetivo de apresentar ações, dar transparência aos resultados e pactuação de metas para 2026.
Brandão evidenciou também a observação de avanços significativos nas ações já implementadas e demonstrou otimismo quanto aos benefícios que poderão ser alcançados.
A pactuação de metas para 2026 configura-se como elemento essencial no ordenamento das ações públicas no campo da segurança alimentar.
Metas estruturadas e acordadas entre órgãos executores permitem não apenas o direcionamento mais eficaz de recursos, mas também facilitam o monitoramento e a avaliação de impactos das políticas implementadas sobre a população em situação de insegurança alimentar e nutricional.gov
O contexto mais amplo das políticas de segurança alimentar e nutricional no Brasil inclui o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan 2025-2027), que estabelece 18 estratégias intersetoriais e 219 iniciativas voltadas à garantia da segurança alimentar e nutricional para o cumprimento de uma meta nacional ambiciosa: tirar o país do Mapa da Fome até 2026.
O plano estabelece oito diretrizes estratégicas para a superação da insegurança alimentar, incluindo o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) com governança participativa e intersetorial, a superação da fome por meio de acesso a renda e políticas públicas, e a garantia de acesso à terra e à água.
Adicionalmente, o Plano Brasil Sem Fome, lançado sob responsabilidade de 24 ministérios que integram a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, reúne um conjunto de ações e programas que atuam em dimensões importantes do enfrentamento à fome.
A execução desse plano depende de uma ampla pactuação intersetorial e federativa, articulada pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Os avanços conquistados abraçam três eixos estruturantes: acesso à renda e redução da pobreza, alimentação adequada e saudável da produção ao consumo, e mobilização para o combate à fome.
No âmbito da assistência social, a integração entre o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) constitui estratégia privilegiada para ampliar o acesso à alimentação adequada e saudável, especialmente para a população em situação de vulnerabilidade social.
A capilaridade dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (CREAS), além dos espaços de controle social do SUAS, apresentam-se como elementos estratégicos para favorecer a articulação entre políticas e ações intersetoriais.
As ações que promovem o acesso a alimentos adequados e saudáveis, a busca ativa das famílias em situação de maior vulnerabilidade, as ações de educação alimentar e nutricional e o apoio aos processos produtivos da agricultura familiar são apontados como diretrizes capazes de fortalecer a integração entre SUAS e Sisan.
Esse fortalecimento representa não apenas uma otimização de recursos públicos, mas uma reafirmação do compromisso estatal com o direito humano à alimentação adequada.
O encerramento das reuniões da Caisan-AC reafirma o compromisso do governo do Acre com o fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional e com o acesso da população acreana a políticas públicas eficientes e integradas.
A construção de uma agenda comum entre órgãos estaduais, a publicização de ações por meio de plataforma digital e a pactuação de metas para 2026 constituem passos concretos na direção de uma abordagem mais sistemática e participativa para o enfrentamento da insegurança alimentar.
O esforço estadual do Acre insere-se em um movimento mais amplo de consolidação de políticas de segurança alimentar e nutricional no Brasil, que reconhece na integração entre setores, na participação democrática e na transparência das ações elementos fundamentais para o cumprimento do direito humano à alimentação adequada.
A persistência na implementação dessas políticas, o monitoramento contínuo de resultados e a adaptação das estratégias conforme necessário são requisitos para que os avanços já conquistados possam ser ampliados e consolidados em benefício das populações mais vulneráveis.

