A rodada 36 do Campeonato Brasileiro 2025 reescreveu dramaticamente os rumos da zona de rebaixamento, com reviravoltas que deixam o cenário do Z-4 mais acirrado e desigual.
Enquanto o Santos encontrou renovação ao vencer o Sport por 3 a 0 na Vila Belmiro, com performance de gala de Neymar, o Internacional enfrentou o seu pior momento da temporada ao ser demolido pelo Vasco por 5 a 1 no Rio de Janeiro, caindo moralmente rebaixado.
O panorama atual coloca o Santos em posição relativamente confortável, ao lado do Inter com 41 pontos, mas separado pela vantagem de saldo de gols. A vitória sanitista não apenas resgatou o time da zona de rebaixamento como também projetou esperança para as últimas rodadas.
Com Neymar superando incômodos no joelho esquerdo, a equipe paulista entrega três gols de alta qualidade e demolição psicológica sobre um Sport que completava sua nona derrota consecutiva, praticamente enterrando qualquer esperança da lanterna com 17 pontos.
Contrastando com a noite de celebração em Santos, a situação do Internacional representa o colapso de uma temporada marcada por decisões equivocadas na montagem do elenco e instabilidade administrativa.
O técnico Ramón Díaz, que chega com apenas 33% de aproveitamento em seus jogos, viu sua equipe desmoronar em São Januário onde sofreu um gol aos dois minutos, sofrendo cinco vezes sem qualquer capacidade de reação efetiva.
O presidente Alessandro Barcellos, após a goleada, admitiu erros na formação do elenco mas manteve retórica de confiança. A afirmação de que o clube não cairá e que precisa acreditar na "mística da camisa" ressoa como última esperança quando análises técnicas apontam para necessidade urgente de duas vitórias consecutivas para escapar da segunda queda da história colorada.
O Colorado amargou seu primeiro rebaixamento em 2016, quando somou 43 pontos em toda a temporada. Atualmente com 41 pontos e dois compromissos remanescentes, a margem de erro é nula.
A estrutura técnica revelou fragilidade notória durante os 90 minutos. Defesa desorganizada, circulação lenta de bola e inefetividade ofensiva compõem um quadro onde nenhum setor funciona adequadamente.
Ramón Díaz não promoveu mudanças substantivas após o vexame, mantendo intacta a comissão técnica e o departamento de futebol, o que gerou questionamentos internos sobre capacidade de reação.
O cenário para o Vitória permanece mais esperançoso, com a equipe baiana em 16º lugar com 39 pontos. Uma eventual vitória sobre o Mirassol neste sábado catapultaria o Rubro-Negro para 42 pontos, depositando o Inter dentro da zona de rebaixamento.
O Fortaleza, com 37 pontos em 28 jogos, e o Juventude, com 33 pontos em 29 partidas, completam a tétrica realidade do Z-4, embora o Sport já esteja matematicamente rebaixado.
A probabilidade matemática do Internacional permanecer na elite segue em queda livre. Conforme cálculos estatísticos aplicados por modelos econômicos, a chance colorada de manter-se na Série A caiu de 90,27% há poucas rodadas para cenários onde dependência não é mais apenas de si mesmo.
O Inter que apostou contra a sorte, negou o risco e se recusou a reconhecer a gravidade, agora enfrenta rejeição não apenas de torcedores mas da própria matemática que outrora funcionava a favor.
As ambições de recuperação passam por atos concretos e não promessas. São Paulo e Bragantino representam compromissos da magnitude que definirá trajetória.
Para o Santos, a batalha segue acesa mas com oxigênio renovado pelo retorno de Neymar aos campos. Para o Internacional, resta o quixotesco: um milagre que evite repetir a marca mais negra de sua história.

