O gol de Rodrygo Goes nos minutos finais da vitória por 2 a 1 sobre o Alavés, em Mendizorroza, teve peso que vai além dos três pontos na tabela.
O resultado mantém o Real Madrid na perseguição ao líder Barcelona, preserva o fôlego da equipe na disputa por LaLiga e, sobretudo, diminui a pressão sobre o trabalho de Xabi Alonso, que vinha sendo alvo de questionamentos pelo desempenho recente.
A partida, válida pela 16ª/17ª rodada do Campeonato Espanhol, terminou com triunfo merengue graças aos gols de Kylian Mbappé e Rodrygo, enquanto Carlos Vicente marcou para os anfitriões.
O Real Madrid chegou aos 39 pontos, segue em segundo lugar e mantém a distância de quatro pontos para o Barcelona, líder isolado. O Alavés permanece na 12ª posição, com 18 pontos.
Gol brasileiro, alívio espanhol
O lance que definiu o confronto e deu novo fôlego a Xabi Alonso foi inteiramente brasileiro.
Após o empate do Alavés na etapa final, Vinícius Júnior arrancou pela esquerda, deixou o marcador para trás e, já dentro da área, serviu Rodrygo, que finalizou com tranquilidade para colocar o Real novamente em vantagem.
A jogada, destacada pela imprensa espanhola como “100% brasileira”, reforçou a importância da dupla no contexto atual da equipe.
O diário “Marca”, por exemplo, atribuiu a Vini e Rodrygo o papel de terem “salvado” Xabi Alonso, em alusão ao peso da vitória em meio às críticas ao desempenho coletivo e às decisões do treinador.
O contexto amplia o significado do gol de Rodrygo. O atacante chegou ao duelo contra o Alavés em processo de reconstrução de confiança, depois de um longo período de seca. Foram nove meses e 32 partidas oficiais sem marcar, jejum encerrado recentemente com um golaço contra o Manchester City, em jogo que mudou a percepção interna sobre seu momento.
Em Mendizorroza, o brasileiro confirmou a retomada, marcando pela segunda partida consecutiva e consolidando a sensação de que volta a ser peça central no ataque merengue.youtube
Jogo tenso e roteiro perigoso para o treinador
Apesar do favoritismo e da superioridade técnica, o Real Madrid esteve próximo de transformar uma noite controlada em mais um capítulo de desgaste para o técnico.
A equipe começou bem, dominou a posse de bola e construiu as principais chances do primeiro tempo, chegando a registrar cerca de 73% de posse e volume ofensivo consistente.
Mbappé abriu o placar após grande lançamento de Jude Bellingham. O francês recebeu em profundidade, cortou o zagueiro e finalizou com categoria, confirmando o protagonismo que justificou sua contratação.
No entanto, depois do 1 a 0, o time reduziu a intensidade, permitiu que o Alavés avançasse metros no campo e transformasse um jogo aparentemente sob controle em um duelo perigoso, embora sem grandes oportunidades claras dos mandantes na primeira etapa.
Na volta do intervalo, o Real Madrid ainda desperdiçou chances para ampliar, com Mbappé e Vinícius parando no goleiro Sivera. O castigo veio aos 69 minutos: em um lançamento longo, Carlos Vicente venceu a linha defensiva e bateu na saída de Courtois para empatar.
O gol, confirmado após análise do VAR, reacendeu a pressão do estádio, equilibrou o jogo emocionalmente e voltou a colocar Xabi Alonso no centro das atenções, desta vez sob o risco de mais um tropeço fora de casa.
A resposta de Rodrygo e o peso simbólico do gol
O empate aumentou a tensão, mas também provocou uma resposta imediata do setor ofensivo. O Real Madrid adiantou as linhas, intensificou a pressão e voltou a atacar com mais clareza.
Em meio a esse cenário, Vinícius Júnior assumiu o protagonismo pelo lado esquerdo, partiu para o duelo individual e encontrou Rodrygo livre para concluir o lance do 2 a 1.
Nesse momento, a narrativa do jogo mudou de “tropeço que amplia a pressão” para “vitória sofrida que protege o treinador e reafirma o elenco”.
O gol de Rodrygo funciona quase como síntese de duas histórias em paralelo: a do atacante, que sai de um longo jejum para assumir novamente o papel de decisivo, e a de Xabi Alonso, que vê sua estratégia ofensiva – com Mbappé centralizado, Vinícius pela esquerda e Rodrygo como peça-chave no ataque – produzir o resultado esperado em um momento de cobrança.
Internamente, o brasileiro já havia “criado um problema bom” para o técnico ao voltar a marcar contra o City, recolocando-se de vez na briga por uma vaga cativa entre os titulares.
Ao decidir também em LaLiga, fortalece o argumento daqueles que defendem sua permanência no time principal e reduz o espaço para críticas à sua utilização. Ao mesmo tempo, oferece a Xabi Alonso uma resposta prática às dúvidas sobre a montagem do trio ofensivo.
Arbitragem contestada e ruído externo
A vitória não eliminou controvérsias. Já na reta final, Vinícius Júnior sofreu um contato duro dentro da área, em lance interpretado no Real Madrid como pênalti claro.
O árbitro em campo mandou seguir, e o VAR não interveio, decisão que gerou forte indignação nos merengues e foi alvo de críticas da imprensa de Madri, que apontou mais um episódio de arbitragem controversa contra o clube.
Embora o resultado tenha tornado o tema menos explosivo – afinal, os três pontos foram garantidos –, veículos como o “Marca” destacaram o lance como exemplo de inconsistência do apito.
Esse tipo de episódio costuma ampliar o barulho externo, mas, desta vez, ficou em segundo plano diante do impacto esportivo da vitória e da narrativa da dupla brasileira “salvando” o treinador.
Tabela, cenário e pressão sobre Xabi Alonso
Os números da classificação explicam por que o jogo em Mendizorroza carregava tanta tensão. O Real Madrid segue em segundo lugar, com 39 pontos, quatro atrás do Barcelona, que também venceu na rodada.
A distância ainda é administrável, mas qualquer tropeço fora de casa, especialmente contra adversários de meio de tabela como o Alavés, custaria caro na luta pelo título e ampliaria o questionamento sobre o trabalho de Alonso.
Do outro lado, o Alavés faz campanha relativamente segura, com 18 pontos e bom desempenho como mandante, mas ainda precisa somar para se afastar de vez da zona de rebaixamento. O contexto transformou a vitória do Real Madrid em um resultado quase obrigatório.
Nesse cenário, um empate ou derrota teria alimentado o discurso de que o time oscila demais, não mata jogos que domina e ainda demonstra fragilidades defensivas em momentos-chave – críticas que já rondavam o treinador em semanas anteriores.
Ao vencer, ainda que com sofrimento, a equipe entrega a Alonso algo especialmente valioso: tempo.
O resultado oferece margem para ajustes táticos, consolidação de ideias e, principalmente, para a estabilização de um ataque que começa a encontrar equilíbrio com Mbappé como referência, Vinícius retomando protagonismo pelos lados e Rodrygo recuperando a confiança e a eficiência nas finalizações.
Rodrygo como termômetro da fase do Real
A trajetória recente de Rodrygo ajuda a entender o quanto o momento do brasileiro se confunde com o próprio estágio do projeto de Xabi Alonso no clube.
O longo período de jejum, oscilando entre a reserva e a titularidade, representava não apenas um problema individual, mas também um desafio coletivo para o treinador, que precisava encontrar o encaixe ideal do ataque com a chegada de Mbappé e a presença de Vinícius.
Ao quebrar a seca com um gol decisivo contra o Manchester City e, em seguida, repetir o protagonismo em LaLiga diante do Alavés, o atacante se reposiciona como um dos pilares ofensivos da equipe.
A sequência de boas atuações sugere que o brasileiro pode voltar a ser o “termômetro” do time: quando participa ativamente, se movimenta entre as linhas e aparece na área para finalizar, o Real Madrid tende a ser mais perigoso, variado e imprevisível.youtube
Para Xabi Alonso, essa evolução individual significa ganhar mais uma peça confiável em um contexto de grande exigência.
Em um clube em que cada ponto pesa e cada escalão da hierarquia é constantemente escrutinado, ter um jogador em ascensão que decide jogos-chave reduz a pressão imediata e reforça a narrativa de que o trabalho caminha na direção correta.
No fim, o gol de Rodrygo em Mendizorroza vale mais do que o triunfo por 2 a 1.
Representa um momento de virada para o próprio atacante, reconfigura a percepção sobre o poder de decisão da dupla brasileira, preserva o Real Madrid vivo na disputa pelo título e, sobretudo, oferece a Xabi Alonso um pouco do que mais faz falta em grandes clubes em tempos de cobrança permanente: margem para respirar.

