Ramon Abatti obtém efeito suspensivo no STJD e pode voltar a apitar

Ramon Abatti obtém efeito suspensivo no STJD e pode voltar a apitar

O árbitro Ramon Abatti Abel conseguiu efeito suspensivo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e está apto a retornar às escalas de arbitragem da CBF.

A decisão foi concedida nesta quinta-feira (4 de dezembro) pelo auditor relator do processo, Marcelo Bellizze, abrangendo também o árbitro de vídeo Ilbert Estevam da Silva.

Os dois profissionais haviam recebido punição de 40 dias de suspensão em primeira instância pelo STJD, determinada em 19 de novembro de 2025.

Com a concessão do efeito suspensivo, a suspensão fica paralisada e ambos aguardam agora o julgamento final do caso no Pleno, cuja data ainda não foi marcada. Como a decisão inicial ocorreu em 19 de novembro, os árbitros já cumpriram 15 dos 40 dias totais da punição.

Origem da punição

O processo foi aberto em razão dos erros cometidos no clássico entre São Paulo e Palmeiras, disputado no Morumbis, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A partida terminou com placar de 3 a 2 para o Palmeiras, de virada, e os árbitros foram enquadrados no artigo 259 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de "deixar de cumprir as regras da modalidade".

A Segunda Comissão Disciplinar do STJD considerou os erros da arbitragem como determinantes para o resultado. O relator Luiz Gabriel Batista Neves destacou que não se tratava de interpretação de regras, mas de "erros escancarados".

Os lances considerados mais graves foram: pênalti não marcado contra o Palmeiras sobre o são-paulino Tapia aos 20 minutos do primeiro tempo, e faltas que resultariam em expulsão de Andreas Pereira e Gustavo Gómez que não foram assinaladas.

A suspensão foi calculada em 20 dias pelo pênalti não marcado e 10 dias para cada expulsão ignorada.

Argumentação da defesa

A Associação Brasileira de Árbitros de Futebol (Abrafut) representa os árbitros no processo. A defesa, por meio do advogado Eduardo Vargas, argumenta que o STJD não possui competência para analisar erros ou equívocos na interpretação das regras, ainda que sejam considerados "escancarados".

Conforme a argumentação, o órgão competente para analisar e sancionar equívocos na arbitragem é a comissão de arbitragem da CBF, e não o tribunal disciplinar.

Situação anterior do árbitro

Desde o clássico polêmico, Abatti não havia retornado às escalas de arbitragem da elite. O profissional atuou apenas na arbitragem de vídeo em partidas da Série A, como AVAR em Mirassol x Botafogo, além de receber escalas para competições de menor expressão, incluindo partidas da Série B e Copa Santa Catarina.

A restrição resultava do afastamento imediato decorrente da punição de primeira instância.

Com a concessão do efeito suspensivo, Abatti está novamente apto a receber escalas normais de arbitragem nas competições organizadas pela CBF.

O próximo passo do processo será o julgamento final no Pleno do STJD, quando então a punição poderá ser mantida, modificada ou revogada em definitivo.

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Gustavo Ferreira

Gustavo Ferreira é o editor-chefe e um historiador do esporte com uma paixão por narrativas épicas. Sua experiência é dedicada a cobrir as Notícias e Destaques diários, explorar a rica História do Esporte e desvendar Fatos, Curiosidades e os recordes mais inusitados.