Marcas negativas tendem a ser lembradas como sinônimos de fracasso. No futebol, quando um time de grande tradição não consegue atingir objetivos básicos, inevitavelmente esses números permanecem na memória coletiva.
O Atlético-MG enfrenta essa situação ao se aproximar do encerramento da Série A 2025 com apenas 38 gols marcados em 37 rodadas, uma estatística que representa a pior produção ofensiva da instituição na era dos pontos corridos, iniciada em 2003.
A comparação com os anos anteriores expõe a magnitude do problema vivenciado pelo clube mineiro. Nas edições de 2019 e 2022, consideradas os piores desempenhos até então, o Atlético havia marcado 45 gols.
O desempenho atual é sete gols inferior a ambas as campanhas. Apenas em 2005, quando o clube foi rebaixado para a Série B, a produção ofensiva superou os números atuais, com 54 gols em 42 rodadas.
A média de menos de um gol por jogo evidencia a dificuldade generalizada do time na criação e conversão de oportunidades. Em 37 jogos, uma média de 1,03 gol por partida revela uma inoperância ofensiva raramente vista na história recente da instituição.
Para evitar que 2025 seja oficialmente classificado como o pior ano ofensivo, o Atlético precisaria marcar sete gols contra o Vasco na última rodada, tarefa praticamente impossível considerando os precedentes históricos entre os clubes.
O desempenho ofensivo deficiente não ocorreu de forma isolada. O contexto do club mostra que o time ficou à frente apenas de Sport (28 gols), Ceará (33 gols), Juventude e Vitória (ambos com 34 gols) no ranking de piores ataques do Campeonato Brasileiro 2025.
Essa posição reflete a amplitude dos problemas enfrentados pela equipe ao longo da temporada.
A questão transcende a falta de volume de gols e estende-se à qualidade dos atletas disponíveis. Hulk, principal astro do elenco, marcou apenas sete gols na competição, desempenho significativamente abaixo das expectativas.
Rony foi o segundo maior artilheiro com seis tentos, enquanto Igor Gomes contribuiu com apenas quatro gols. Os demais atacantes não conseguiram suprir as lacunas deixadas pela baixa performance dos destaques ofensivos.
Diversos nomes foram testados ao longo da temporada sem sucesso.
Biel, Júnior Santos e jovens promessas como Reinier, Caio Maia, Cadu, Isaac e João Marcelo não conseguiram oferecer contribuição significativa, ampliando as dificuldades do técnico Jorge Sampaoli na busca por soluções criativas.
Os reflexos dessa deficiência ofensiva transcenderam os números individuais e afetaram diretamente a campanha geral.
Com 45 pontos em 37 rodadas, o clube ocupava a 13ª colocação na reta final do campeonato, lutando não apenas por um melhor desempenho, mas também pela permanência na zona de classificação para a Copa Sul-Americana de 2026.
Esse cenário marca um contraste gritante com os anos de ascensão do clube sob a gestão de investidores. Em 2021, ano do histórico bicampeonato após 50 anos, a equipe marcou 67 gols em 38 partidas, uma média de 1,76 por jogo.
Essa diferença de aproximadamente 29 gols em relação a 2025 encapsula a trajetória de queda vivenciada pela instituição nos últimos anos.
A perspectiva comparativa com outras edições do Brasileiro na era dos pontos corridos evidencia como temporadas anteriores, mesmo aquelas consideradas fracassadas, superaram o aproveitamento ofensivo atual.
Em 2024, o Atlético marcou 47 gols; em 2023, 52 gols; em 2020, 64 gols. Apenas em 2013, o clube havia registrado 49 gols, ainda assim superior ao patamar alcançado em 2025.
A chegada do domingo com o confronto contra o Vasco marca não apenas o encerramento da participação do clube no Brasileirão, mas também uma página que dificilmente será relembrada com saudades pela torcida atleticana.
Os números de 2025 permanecerão registrados como um dos períodos mais desafiadores da história ofensiva recente do Atlético-MG.

