Palmeiras ou Flamengo podem igualar Argentina com 25 Libertadores

Palmeiras ou Flamengo podem igualar Argentina com 25 Libertadores

A história do futebol sul-americano está prestes a ganhar um novo capítulo neste sábado, 29 de novembro, quando Palmeiras e Flamengo disputam a final da Copa Libertadores de 2025 no Estádio Monumental de Lima, no Peru.

Independentemente do vencedor, o Brasil atingirá um patamar histórico, igualando a Argentina em um total de 25 títulos da principal competição continental.

A supremacia brasileira nos últimos anos contrasta significativamente com o domínio argentino que perdurou durante décadas.

De 2018 até o presente, o Brasil conquistou sete títulos consecutivos, transformando completamente o cenário da Libertadores. Enquanto isso, a Argentina não vence desde 2018, quando o River Plate derrotou o Boca Juniors na histórica final de Madrid.

A Trajetória Histórica da Competição

A Copa Libertadores iniciou suas atividades em 1960 com a vitória do Peñarol do Uruguai sobre o Olimpia do Paraguai. Ao longo de 65 anos de competição, a disputa entre Argentina e Brasil definiu grande parte da narrativa do torneio.

No entanto, essa rivalidade ganhou uma nova dimensão nos últimos anos, com o Brasil estreitando uma desvantagem que chegou a ser de oito títulos em 2018.

Argentina permaneceu como a potência dominante por grande parte da história libertadora. Historicamente, os clubes argentinos estabeleceram dinastias duradouras. O Independiente conquistou sete títulos entre 1964 e 1984, consolidando-se como o maior campeão isolado da competição.

O Boca Juniors, com seis conquistas, também deixou sua marca profunda, especialmente nos anos 1970 e 2000. River Plate e Estudiantes, ambos com quatro títulos, completam o quarteto argentino de elite.

Os clubes brasileiros, embora com histórico notável, permaneceram em segundo plano durante muito tempo. A distância foi se encurtando gradualmente, com a incorporação de novos tricampeões brasileiros na história do torneio.

Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos estabeleceram-se como tricampeões entre 1960 e 2023. Apenas em anos recentes o Brasil conseguiu expandir significativamente seu número de títulos.

O Domínio Brasileiro Recente

A arrancada brasileira começou efetivamente em 2019, quando o Flamengo conquistou seu segundo título ao derrotar o River Plate em Lima. A partir desse ponto, o Brasil não deixou que outro país conquistasse a Libertadores.

Palmeiras venceu em 2020 e 2021, Flamengo repetiu em 2022, Fluminense surpreendeu em 2023 e Botafogo conquistou seu primeiro título em 2024.

Essa sequência de sete títulos consecutivos representa um fenômeno sem precedentes na história recente da competição. De 2010 em diante, o Brasil conquistou dez títulos, enquanto Argentina somou apenas três.

A vantagem brasileira em receitas de televisão, poder de investimento em jogadores e infraestrutura dos estádios criou uma disparidade crescente entre os dois países.

A Protagonismo do Palmeiras e do Flamengo

Para a final de 2025, os dois maiores protagonistas do domínio brasileiro atual se confrontarão. Palmeiras chegou a três títulos da Libertadores ao vencer em 1999, 2020 e 2021.

O clube de São Paulo foi particularmente dominante entre 2020 e 2021, conquistando a taça em duas edições consecutivas, um feito raro na história do torneio.

Flamengo, por sua vez, expandiu sua marca de três títulos com as conquistas de 1981, 2019 e 2022.

O clube carioca demonstrou sua capacidade de adaptação, conquistando títulos em épocas diferentes, mostrando renovação constante de elencos e liderança técnica.

Quem vencer em Lima chegará a quatro títulos na Libertadores, tornando-se o primeiro tetracampeão brasileiro da história. Esse feito igualaria o clube com River Plate e Estudiantes, ambos argentinos com quatro conquistas cada.

Historicamente, apenas o Independiente argentino (sete), Boca Juniors argentino (seis) e Peñarol uruguaio (cinco) ultrapassaram essa marca.

O Cenário Histórico de Equilíbrio

A igualdade em títulos entre Brasil e Argentina marcará um momento simbólico importante. Argentina construiu sua vantagem principalmente através do sucesso do Independiente, que dominou o continente nos anos 1970 com suas quatro conquistas consecutivas entre 1972 e 1975.

O Boca Juniors consolidou a supremacia argentina ao vencer em 1977, 1978, 2000, 2001, 2003 e 2007.

Brasil, por sua vez, desenvolveu uma base mais ampla de campeões. Enquanto Argentina concentrou muitos títulos em poucos clubes, o Brasil distribuiu conquistas entre doze clubes diferentes.

Além de Palmeiras e Flamengo, conquistadores de títulos recentes, o Brasil conta com triunfos de Santos, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Internacional, Vasco da Gama, Corinthians, Atlético Mineiro, Fluminense e Botafogo.

Lista de Todos os Campeões da Copa Libertadores

1960 - Peñarol (Uruguai) | 1961 - Peñarol (Uruguai) | 1962 - Santos (Brasil) | 1963 - Santos (Brasil)

1964 - Independiente (Argentina) | 1965 - Independiente (Argentina) | 1966 - Peñarol (Uruguai) | 1967 - Racing (Argentina)

1968 - Estudiantes (Argentina) | 1969 - Estudiantes (Argentina) | 1970 - Estudiantes (Argentina) | 1971 - Nacional (Uruguai)

1972 - Independiente (Argentina) | 1973 - Independiente (Argentina) | 1974 - Independiente (Argentina) | 1975 - Independiente (Argentina)

1976 - Cruzeiro (Brasil) | 1977 - Boca Juniors (Argentina) | 1978 - Boca Juniors (Argentina) | 1979 - Olimpia (Paraguai)

1980 - Nacional (Uruguai) | 1981 - Flamengo (Brasil) | 1982 - Peñarol (Uruguai) | 1983 - Grêmio (Brasil)

1984 - Independiente (Argentina) | 1985 - Argentinos Juniors (Argentina) | 1986 - River Plate (Argentina) | 1987 - Peñarol (Uruguai)

1988 - Nacional (Uruguai) | 1989 - Atlético Nacional (Colômbia) | 1990 - Olimpia (Paraguai) | 1991 - Colo-Colo (Chile)

1992 - São Paulo (Brasil) | 1993 - São Paulo (Brasil) | 1994 - Vélez Sarsfield (Argentina) | 1995 - Grêmio (Brasil)

1996 - River Plate (Argentina) | 1997 - Cruzeiro (Brasil) | 1998 - Vasco da Gama (Brasil) | 1999 - Palmeiras (Brasil)

2000 - Boca Juniors (Argentina) | 2001 - Boca Juniors (Argentina) | 2002 - Olimpia (Paraguai) | 2003 - Boca Juniors (Argentina)

2004 - Once Caldas (Colômbia) | 2005 - São Paulo (Brasil) | 2006 - Internacional (Brasil) | 2007 - Boca Juniors (Argentina)

2008 - LDU Quito (Equador) | 2009 - Estudiantes (Argentina) | 2010 - Internacional (Brasil) | 2011 - Santos (Brasil)

2012 - Corinthians (Brasil) | 2013 - Atlético Mineiro (Brasil) | 2014 - San Lorenzo (Argentina) | 2015 - River Plate (Argentina)

2016 - Atlético Nacional (Colômbia) | 2017 - Grêmio (Brasil) | 2018 - River Plate (Argentina) | 2019 - Flamengo (Brasil)

2020 - Palmeiras (Brasil) | 2021 - Palmeiras (Brasil) | 2022 - Flamengo (Brasil) | 2023 - Fluminense (Brasil) | 2024 - Botafogo (Brasil)

Os Maiores Campeões por Clube

O Independiente da Argentina permanece como o maior vencedor isolado com sete títulos, uma marca que não foi alcançada por nenhum outro clube.

O Boca Juniors segue em segundo com seis conquistas. Peñarol do Uruguai conquistou cinco títulos, enquanto River Plate e Estudiantes, ambos argentinos, possuem quatro.

O próximo grupo de tricampeões é composto por sete clubes: Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Santos, Olímpia do Paraguai e Nacional do Uruguai.

Esses clubes marcaram época em suas respectivas regiões, contribuindo significativamente para a história da competição continental.

O Futuro da Competição

Depois da igualdade histórica que será alcançada em 2025, o Brasil possui condições favoráveis para estabelecer sua supremacia na Libertadores nas próximas décadas.

A superioridade financeira consolidada pelos clubes brasileiros, aliada ao poder de atração de jogadores, cria um cenário em que outros países enfrentarão dificuldades crescentes em competir.

Argentina, apesar de ainda possuir um elenco de clubes históricos como Independiente, Boca Juniors, River Plate e Estudiantes, não demonstra a mesma consistência dos últimos anos.

O país hermano não vence a Libertadores desde 2018, sugerindo uma possível transição de poder consolidada.

Uruguai, Colômbia, Paraguai, Chile e Equador, que juntos possuem 13 títulos da Libertadores, enfrentam desafios ainda maiores para competir com a hegemonia brasileira.

Apenas em circunstâncias excepcionais esses países conseguem romper a barreira brasileira em edições recentes da competição.

A decisão de 2025 representa, portanto, mais do que um jogo pela glória eterna. Marca o ponto em que o Brasil oficialmente alcançou a Argentina em quantidade de conquistas, consolidando a transferência de poder no futebol sul-americano.

O futuro previsível sugere que essa diferença apenas aumentará, redefinindo o legado histórico da Copa Libertadores nas próximas gerações.

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Mariana Santos

Mariana Santos é especialista em análise tática e o mercado de transferências. Com profunda experiência em Futebol Nacional e Internacional, ela foca em dissecar as estratégias de jogo e o cenário financeiro do Mercado da Bola, trazendo análises aprofundadas sobre clubes e atletas.