A estrutura montada pelo presidente Julio Casares prevê que Muricy mantenha sua conduta discreta nos bastidores, porém com maior participação em decisões estratégicas sobre o elenco e formação da equipe.
Seu envolvimento ocorre principalmente no CT da Barra Funda, onde participa de reuniões com a comissão técnica, conversa com jogadores e acompanha os treinamentos diariamente. De acordo com suas próprias declarações, o trabalho segue focado em apoiar o técnico Hernán Crespo e os atletas, sempre com o objetivo de fortalecer o projeto do clube.
A mudança na estrutura administrativa coincide com um momento crítico do São Paulo na temporada. O time segue em oitavo lugar no Campeonato Brasileiro, com 45 pontos, distante do G-6 e em situação que exige ação imediata.
Muricy reconhece a urgência de melhorias no desempenho da equipe e não esconde a preocupação com a sequência do campeonato.
Questionado sobre acompanhar a equipe nos jogos finais do Brasileirão contra Inter e Vitória, o coordenador foi evasivo, alegando demandas administrativas que o mantêm ocupado com reuniões.
Ainda assim, afirmou estar comprometido com o trabalho em andamento e reconheceu abertamente que o São Paulo necessita de melhoras significativas.
As dificuldades não se limitam ao presente. Muricy alertou sobre os desafios financeiros que se aproximam. Sua previsão para 2026 é pessimista, indicando que o próximo ano será "muito mais duro e difícil" do que a atual temporada.
As restrições orçamentárias forçarão o clube a adotar estratégias diferenciadas nas contratações, priorizando empréstimos e jogadores sem vínculo sobre compras definitivas.
Para enfrentar essas limitações, a diretoria tricolor já iniciou planejamento sobre o perfil de atletas necessários. Muricy enfatiza que o futebol moderno exige jogadores com grande força física e dedicação total, sendo necessário um fortalecimento nesse aspecto.
O Campeonato Brasileiro de 2026 começará em janeiro, simultaneamente ao Paulistão, demandando agilidade na montagem do elenco para atender a um calendário compactado.
Uma das estratégias em desenvolvimento é a promoção de jovens da base. O clube definiu que seis atletas da base serão promovidos ao término da Copinha em janeiro, sob orientação de Crespo e sua comissão.
Paralelamente, o São Paulo buscará reforços no mercado com perfil mais jovem em comparação às contratações dos últimos anos.
Muricy não oculta sua integridade sobre a missão que enfrenta. Ele ressalta que trabalha para o clube e que mantém respeito por Carlos Belmonte, apesar de lamentar a saída do ex-diretor com quem dividiu cinco anos de trabalho conjunto.
Sua experiência como tricampeão brasileiro à frente do Tricolor lhe confere credibilidade para lidar com as complexidades administrativas e técnicas que o desafiam atualmente.
O ex-treinador indicou que 2025 pode ser seu último ano como dirigente do São Paulo. Seu contrato estende-se até o fim do mandato de Julio Casares, previsto para dezembro de 2026, mas Muricy já sinalizou o desejo de afastar-se do cargo após esse período.
Apesar das limitações e da vontade de descansar, mantém seu compromisso com a instituição e com o objetivo de recuperar o Tricolor nos próximos meses.
A realidade é que o São Paulo enfrenta um período de transição administrativa e financeira delicado. As mudanças estruturais que ocorrem agora refletem tanto desafios econômicos quanto a necessidade de repensar processos internos.
Muricy, aos seus setenta anos completados neste domingo, carrega a experiência de quem já conquistou títulos significativos e reconhece que melhorias substanciais são imprescindíveis para que o clube mantenha sua relevância competitiva nos campeonatos que se aproximam.

