Jornal espanhol diz que situação de Mbappé no Real é 'impossível'

Jornal espanhol diz que situação de Mbappé no Real é 'impossível'

Kylian Mbappé enfrenta um quadro crítico no Real Madrid que vai além das números.

A entorse no joelho esquerdo confirmada em 31 de dezembro marca o ponto de inflexão de uma temporada que revelou a dependência perigosa do clube merengue em relação ao seu principal astro.

O jornal espanhol As classificou internamente como um "impossível" qualquer possibilidade de o francês estar em campo na Supercopa da Espanha, que se disputa na Arábia Saudita a partir de 8 de janeiro.

A lesão definitivamente o afastará do confronto contra o Betis neste domingo, e coloca em risco sua participação em uma eventual final no dia 11. O clube merengue, porém, não abandona totalmente a esperança de uma recuperação parcial que permitisse ao atleta atuar "no sacrifício" — um cenário que os próprios médicos consideram remoto.

A natureza dessa contusão revela um problema subjacente ao longo desconforto. Mbappé jogou 270 minutos com a articulação já comprometida, em partidas contra Alavés, Sevilla e Talavera, até o joelho finalmente ceder.

O desconforto não era novo: conforme apurado pela imprensa francesa, o jogador sentía incômodo na região há pelo menos três semanas antes do diagnóstico ser confirmado. A entorse no joelho, conforme padrões médicos convencionais, exige duas a três semanas de afastamento mínimo.

O verdadeiro drama, entretanto, não reside apenas na lesão. Reside na estrutura ofensiva do Real Madrid que foi construída totalmente em torno de um único jogador. Sob comando de Xabi Alonso, Mbappé foi responsável por 29 dos 52 gols marcados pela equipe — uma participação direta em 65,3% dos tentos merengues.

O número aproxima-se do que o jornal As já havia denunciado semanas antes: 55,6% dos 45 gols do time foram marcados pelo francês, embora ele represente apenas um quarto das finalizações da equipe.

A taxa de conversão revela o abismo que se abre sem ele. Mbappé converte 23,6% dos seus chutes em gol.

Quando removido da equação, o Real Madrid cai para 6,1% — um percentual comparável ao do Oviedo, equipe que lidera as estatísticas negativas de La Liga. A eficácia ofensiva do clube não é apenas reduzida; é praticamente anulada.

Recentemente, o francês igualou o recorde histórico de Cristiano Ronaldo como maior artilheiro do Real Madrid em um único ano, acumulando 59 gols em 2025.

Na La Liga, lidera com 18 gols; na Champions League, com nove. Esses números não representam apenas qualidade individual, mas uma liderança técnica que sustenta o esquema tático de todo o clube.

A urgência em recuperá-lo para a Supercopa explica-se pela prioridade competitiva. A conquista do troféu seria o primeiro desde a Copa Intercontinental em 2024.

Para Xabi Alonso, a vitória nessa competição pode significar a diferença entre manter ou perder seu cargo. A sequência de resultados ruins — apenas duas vitórias nos últimos oito jogos — havia criado um ambiente de incerteza em relação à sua continuidade.

O técnico estuda alternativas para suprir a ausência. A primeira seria a escalação direta de Gonzalo García, jovem promessa que se destacou como artilheiro do Mundial de Clubes com quatro gols.

A segunda opção passa por uma reformulação tática: retomar a formação de "diamante" que funcionou sob Carlo Ancelotti, com Vinicius Jr. e Rodrygo formando dupla no ataque, e Jude Bellingham atuando como armador.

Essa mudança poderia ser uma oportunidade para os brasileiros recuperarem o protagonismo. Ambos viram seus números de gols caírem significativamente sob a gestão de Xabi Alonso em comparação à era Ancelotti.

Somados, Vinicius Jr. e Rodrygo marcaram apenas sete vezes nesta temporada — uma fração do que Mbappé produz sozinho.

A situação transcende o futebol tático. Expõe a fragilidade de uma estrutura que perdeu sua redundância ofensiva.

Sem o francês, o Real Madrid não apenas perde gols; perde liderança, velocidade de construção e a capacidade de decidir partidas quando o adversário aumenta a intensidade. A dependência tornou-se tão profunda que o clube enfrenta uma verdadeira crise competitiva com apenas sua ausência.

O retorno de Mbappé está previsto para o confronto contra o Monaco em 20 de janeiro pela Liga dos Campeões.

Até lá, o Real Madrid navegará em águas turbulentas, testando se consegue funcionar como coletivo ou se confirmará que, sem seu principal astro, há apenas um abismo onde deveria haver um elenco.

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Mariana Santos

Mariana Santos é especialista em análise tática e o mercado de transferências. Com profunda experiência em Futebol Nacional e Internacional, ela foca em dissecar as estratégias de jogo e o cenário financeiro do Mercado da Bola, trazendo análises aprofundadas sobre clubes e atletas.