O gol que deu ao Corinthians a vitória de 1 a 0 sobre o Cruzeiro na noite de 10 de dezembro, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, rapidamente dividiu as opiniões nas redes sociais.
Enquanto alguns celebravam uma bela trama ofensiva do time paulista, outros apontavam traços de sorte na finalização de Memphis Depay que abriu o placar no Mineirão.
A sequência do gol iniciou-se com Carrillo cruzando pela direita aos 22 minutos do primeiro tempo. O cruzamento encontrou Yuri Alberto na área, que de cabeça ajeitou a bola para Memphis.
O camisa 10 do Corinthians enfrentou um lance precipitado: sua primeira finalização saiu de cabeça, mas Fabrício Bruno, zagueiro do Cruzeiro, bloqueou a tentativa com o corpo.
A bola, porém, sobrou limpa e próxima. Memphis, atento, rolou para o gol com Cássio, goleiro do Cruzeiro, já desorientado pela sequência de eventos.
O holandês precisou finalizar duas vezes no mesmo lance para concretizar o importante gol em um jogo de semifinal.
O contexto tático que precedeu o gol revela organização ofensiva do Corinthians. A equipe paulista chegou ao Mineirão com uma abordagem agressiva e propositiva, enfrentando um Cruzeiro que, no início da partida, não conseguiu se reorganizar adequadamente.
A defesa mineira, apesar da resistência inicial, não antecipou a velocidade com que o lance se desenvolveria na sequência do cruzamento.
A interpretação do gol como sorte encontra fundamento na necessidade de Memphis finalizar em duas oportunidades. Se Fabrício Bruno tivesse afastado com mais precisão ou o goleiro Cássio estivesse mais bem posicionado, o resultado poderia ter sido diferente.
O detalhe de o goleiro estar "vendido" — fora do posicionamento ideal — ressalta o elemento da oportunidade em um futebol onde milímetros decidem lances.
Por outro lado, reconhecer a sorte não invalida o mérito do Corinthians. A blitz inicial da equipe de São Paulo forçou o Cruzeiro para trás, criando condições para que oportunidades surgissem.
Carrillo, responsável pelo cruzamento, demonstrou bom aproveitamento do espaço oferecido pela defesa local. Yuri Alberto, ao ajustar a bola, contribuiu para que o ataque corintiano chegasse à conclusão com dois jogadores praticamente na linha.
Memphis, por sua vez, reagiu com prontidão. Após a primeira finalização bloqueada, não hesitou em aproximar-se novamente da bola e completar o lance.
Tal disposição, em um jogo tão equilibrado, diferencia times que sabem aproveitar segunda chances daqueles que as deixam escapar.
Após a partida, o próprio autor do gol fez uma análise do confronto. Memphis mencionou a importância do primeiro tempo da série e destacou a qualidade do adversário.
"Um jogo difícil, porque o time do Cruzeiro é bom. Mas ganhamos com um gol e defendemos bem. Os nossos zagueiros estavam muito concentrados", afirmou o holandês em entrevista à TV Globo.
A vantagem de um gol leva o Corinthians ao jogo de volta com confiança. No domingo (14), o time alvinegro recebe o Cruzeiro na Neo Química Arena às 18 horas de Brasília.
O Cruzeiro, por sua parte, precisa buscar uma vitória mínima para levar a definição aos pênaltis ou conquistar um triunfo com margem superior de dois gols para avançar no tempo regulamentar.
O desempenho defensivo do Corinthians no Mineirão também merece destaque.
Após sofrer pressão do Cruzeiro no segundo tempo, o time paulista conseguiu manter a coesão defensiva, com zagueiros atentos e concentrados, impedindo que a Raposa convertesse suas chances e mantendo a vitória até o apito final.
A discussão sobre golaço ou sorte, portanto, reflete uma verdade do futebol: vitórias em semifinais de copas raramente são exclusivamente de um tipo.
Combinam organização coletiva, execução técnica, reação individual e, sim, oportunismo diante de pequenas falhas do adversário. O gol de Memphis concentra essas dimensões, marcando, assim, uma semifinal que segue aberta para o confronto decisivo que se aproxima.

