Flamengo e Fluminense pressionam CBF mantém gramado sintético no Brasil

Flamengo e Fluminense pressionam CBF mantém gramado sintético no Brasil

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu manter a permissão para uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro, conforme revelado pela Rádio Itatiaia após a realização do Conselho Técnico no dia 11 de dezembro.

Flamengo e Fluminense, que iniciaram uma ação conjunta para pressionar pela eliminação do piso artificial, não conseguiram sequer incluir o assunto em pauta para votação durante o encontro.

A disputa em torno dos gramados sintéticos emergiu como uma das questões mais polarizadoras do futebol nacional.

O Flamengo apresentou formalmente à confederação um documento denominado "Programa de Avaliação e Monitoramento da Qualidade de Gramados do Futebol Brasileiro", que vai além da simples proibição da grama de plástico e propõe um período de transição até o final de 2027 para clubes da Série A e 2028 para a Série B.

Os argumentos apresentados pelos críticos dos campos sintéticos se concentram em questões técnicas e competitivas. Conforme sustenta o Flamengo, as principais ligas europeias proíbem o uso dessa superfície, assim como as principais competições sul-americanas em Argentina, Uruguai e Colômbia não utilizam esse tipo de piso.

O clube carioca ainda destaca que nenhum país que conquistou a Copa do Mundo aceita gramados de plástico, situação exclusiva do Brasil. Atletas de renome como Neymar, Thiago Silva, Gabigol e Philippe Coutinho manifestaram-se publicamente contra o uso da grama sintética, levantando preocupações sobre a possibilidade de jogadores de alto nível recusarem-se a atuar em estádios com esse tipo de superfície.

As questões de saúde também integram o debate. O Flamengo aponta que estudos indicam aumento do número de lesões relacionadas ao contato com o plástico e problemas consequentes dessa interação. Todavia, a posição científica não é unânime.

Uma pesquisa publicada na revista The Lancet em 2023 sugere que a incidência geral de lesões no futebol é menor em grama sintética do que em natural, embora a investigação conclua que o risco de lesão não possa ser utilizado como argumento isolado contra o gramado artificial. Outro estudo baseado em dados da NCAA (2004-2014) revelou que atletas que treinavam em grama natural apresentavam risco 26% maior de lesão do ligamento cruzado anterior em comparação com os que treinavam em sintético.

A reação dos clubes que utilizam gramados sintéticos foi imediata. Atletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras formaram um bloco defensivo e publicaram nota conjunta criticando o que denominam "narrativa simplificada, injusta e tecnicamente equivocada".

Segundo esses clubes, um gramado sintético de alta performance supera diversos aspectos dos campos naturais encontrados em más condições em parte significativa dos estádios do país. O grupo reforça ainda que não existe padronização de gramados no Brasil, o que torna a discussão mais complexa do que uma simples dicotomia entre natural e sintético.

Os clubes defensores do piso artificial argumentam que essa tecnologia oferece "estabilidade e homogeneidade" ao longo das competições e está alinhada às melhores práticas internacionais.

A FIFA estabelece protocolos específicos para gramados sintéticos através de seu programa de qualidade, exigindo que produtos em conformidade sejam certificados no padrão "FIFA Quality Pro". As equipes ressaltam que não existe comprovação científica conclusiva que demonstre aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos.

A tensão entre os defensores e críticos do piso artificial intensificou-se particularmente pela rivalidade envolvendo Flamengo e Palmeiras, que utiliza gramado sintético no Allianz Parque desde 2020.

Dirigentes de ambos os clubes, BAP (Luiz Eduardo Baptista), do Flamengo, e Leila Pereira, do Palmeiras, trocaram críticas públicas durante esse debate.

A importância da decisão amplia-se pela projeção de que o Campeonato Brasileiro de 2026 pode ter até 30% de seus jogos disputados em estádios com gramado sintético.

Esse percentual representa um crescimento significativo e coloca a qualidade das superfícies no centro das discussões sobre competitividade e padrão do futebol nacional.

A CBF indicou que adiará a decisão definitiva para encontro previsto entre fevereiro e março de 2026. Até essa data, será necessário que a confederação abra prazo para apresentação de novas propostas, crie um sistema de votação estruturado e, possivelmente, estabeleça critérios de quórum qualificado para decisões de tamanha magnitude.

A entidade não espera que clubes implementem mudanças estruturais em seus estádios enquanto o impasse se estender.

Paralelamente à discussão sobre o sintético, a CBF encomendou levantamento sobre incidência de lesões em diferentes pisos, cujos resultados apresentaram números próximos entre grama natural e sintética.

Porém, a confederação pretende ampliar o escopo da análise, incluindo fatores técnicos como impacto no ritmo de jogo e possíveis vantagens competitivas para equipes que utilizam o piso artificial.

O documento apresentado pelo Flamengo propõe ainda padronização rigorosa dos gramados naturais, seguindo normas utilizadas pela FIFA e pela UEFA e adaptadas às especificidades do futebol brasileiro.

A proposta inclui padrões técnicos mínimos para verificação da qualidade, abrangendo testes de rolagem da bola, absorção de impacto e rigidez da superfície. Sugere também padrões mínimos de infraestrutura para ambos os tipos de superfície, incluindo sistemas de irrigação e drenagem, equipamentos adequados de manutenção e especificação da base estrutural.

A confederação manifestou sua intenção de enfrentar o tema de forma definitiva e sem novos adiamentos. Simultaneamente, promete intensificar cobranças sobre a qualidade dos gramados naturais em estádios brasileiros, reconhecendo que a questão transcende o simples embate entre natural e sintético.

O debate sobre as superfícies de jogo reflete uma discussão maior acerca da modernização da infraestrutura do futebol brasileiro e sua aproximação aos padrões internacionais de excelência competitiva.

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Gustavo Ferreira

Gustavo Ferreira é o editor-chefe e um historiador do esporte com uma paixão por narrativas épicas. Sua experiência é dedicada a cobrir as Notícias e Destaques diários, explorar a rica História do Esporte e desvendar Fatos, Curiosidades e os recordes mais inusitados.