A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2025 marcou o dia mais melancólico da história do futebol cearense. Ceará e Fortaleza caíram para a Série B simultaneamente na 38ª e penúltima rodada, encerrando um ciclo de nove anos consecutivos de participação na primeira divisão do futebol brasileiro.
O contexto deste rebaixamento compartilhado remonta apenas a 1993, quando ambas as equipes também caíram juntas, mas as circunstâncias atuais revelam-se substancialmente distintas.
O Ceará entrou em campo na rodada final sem nunca ter ocupado a zona de rebaixamento durante a competição. Disputando contra o Palmeiras em seu estádio, a Arena Castelão, o Vozão abriu o placar com Pedro Raul aos 11 minutos do primeiro tempo. A virada veio rápida: Facundo empatou aos 17 minutos, Sosa marcou aos 16 minutos do segundo tempo e novamente aos 20 minutos, consolidando a derrota por 3 a 1.
O rebaixamento do Ceará foi selado não apenas por seu tropeço, mas pelos resultados paralelos favoráveis a seus rivais diretos. O Internacional venceu o Red Bull Bragantino por 3 a 1, e o Vitória conquistou vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, ultrapassando o alvinegro na tabela de classificação.
Para o Fortaleza, a trajetória foi igualmente desoladora, apesar de uma recuperação notável nos últimos jogos. Sob o comando do técnico Martín Palermo, o Leão havia alcançado uma sequência impressionante de nove partidas sem derrota e quatro vitórias consecutivas. Contudo, na partida decisiva contra o Botafogo, no estádio Nilton Santos no Rio de Janeiro, o time sucumbiu por 4 a 2.
Os gols do Botafogo foram marcados por Arthur Cabral, Marçal, Artur e Mateo Ponte, enquanto Breno Lopes e Adam Bareiro descontaram para o Fortaleza. A derrota deixou a equipe em 18ª posição com 43 pontos, encerrando uma sequência de sete anos na elite do futebol nacional.
A decepção do Fortaleza estende-se além da queda em si. A equipe havia figurado no G-4 durante a temporada de 2024, participando da fase de grupos da Copa Libertadores e gerando expectativas elevadas para 2025.
A arrancada do técnico argentino, com apresentações que prometiam continuidade, foi insuficiente diante da exigência da competição.
Ceará e Fortaleza agora integram o quadro dos times mais rebaixados na história do Campeonato Brasileiro. O Fortaleza alcançou cinco rebaixamentos no total: 1983, 1993, 2003, 2006 e 2025.
O Ceará chegou a quatro quedas: 1993, 2011, 2022 e 2025. O Fortaleza ultrapassa o Ceará em frequência de rebaixamentos, consolidando um histórico desafiador para ambas as instituições.
A interrupção de nove anos de participação na Série A representa um corte abrupto em uma fase de protagonismo regional.
Ceará e Fortaleza haviam estabelecido um padrão de destaque frente aos rivais pernambucanos e baianos, mantendo representação consistente entre os tradicionais clubes brasileiros. A ausência simultânea de ambos na elite em 2026 altera significativamente a dinâmica do futebol nordestino e brasileiro.
As consequências financeiras do rebaixamento afetarão ambos os clubes de forma substancial. O Fortaleza, que mantém um elenco de custo elevado com contratos milionários, enfrentará necessidade de desmantelamento de ativos.
O Ceará terá obrigações de devolver atletas emprestados e reconstituir uma estrutura capaz de cumprir a difícil missão de retorno à primeira divisão.
A Série B de 2026 apresenta-se como desafio monumental para os dois rivais. Sem participações em competições continentais, Ceará e Fortaleza voltarão atenções ao Campeonato Cearense, iniciado em 11 de janeiro, e à Copa do Nordeste, complementando objetivos que se tornaram mais modestos após a queda.
O retorno será longo e exigirá reorganização administrativa, financeira e técnica de ambas as organizações para regressarem à elite do futebol nacional.

