A passagem de Endrick pelo Real Madrid sempre foi marcada por incertezas e poucas oportunidades. Quando Xabi Alonso assumiu o comando técnico dos merengues, a situação do atacante brasileiro tornou-se ainda mais crítica, com o jovem permanecendo frequentemente no banco de reservas ou sequer sendo relacionado para os confrontos.
Aquela dinâmica mudou completamente no domingo, 11 de janeiro, na apresentação do jogador de 19 anos com a camisa do Lyon, clube que o recebeu por empréstimo até junho de 2026.
Em seu primeiro jogo fora de Madri, Endrick marcou o gol que levou o Lyon à vitória sobre o Lille por 2 a 1 pela Copa da França.
O desempenho impressionante do brasileiro—que totalizou seis finalizações, acertou a trave, completou diversos dribles e movimentou-se com intensidade do primeiro ao último minuto em campo—expôs novamente as limitações das escolhas táticas e gerenciais do técnico merengue.terra
A estatística é contundente. Endrick foi capaz de fazer em seu primeiro jogo europeu longe do Real Madrid exatamente aquilo que lhe era negado na temporada anterior: jogar, participar, decidir. Sob comando de Xabi Alonso, o atacante raramente saía do banco ou ocupava posições secundárias na equipe madrilenha.
Agora, com Paulo Fonseca em Lyon, o mesmo jogador é titular, recebe bola ofensivamente e contribui para vitórias em minutos decisivos. A diferença não reside em nenhuma transformação mágica de Endrick, mas na confiança e na estrutura tática oferecidas.
A repercussão nas redes sociais foi imediata. Torcedores do Real Madrid expressaram frustração e questionamento sobre as decisões de Xabi Alonso.
Muitos apontaram a incoerência de um técnico que, semanas antes da partida contra o Lille, havia declarado em coletiva que Endrick "tem que esperar o momento", quando na verdade o momento estava chegando—só não seria em Madri.cnnbrasil
Curiosamente, a estreia de Endrick pelo Lyon coincidiu precisamente com a derrota do Real Madrid para o Barcelona na Supercopa da Espanha. Enquanto Xabi Alonso via seu time perder um título importante na Arábia Saudita, o jovem brasileiro marcava e brilhava a quase oito mil quilômetros de distância.
Não se trata de simples coincidência de calendário, mas de duas realidades contrastantes: uma que expõe o desperdício de talento, outra que comprova a qualidade previamente subestimada.
O técnico do Real Madrid justificava-se argumentando que Endrick precisava ganhar experiência em uma liga competitiva e acumular minutos de jogo. A intenção era correta—e isto Alonso reconheceu publicamente—porém a execução em seu próprio clube não traduzia essa filosofia.
O Real Madrid optou pelo empréstimo entendendo a necessidade do desenvolvimento do jogador, mas sob a gestão do espanhol, aquela necessidade não era atendida.
Na França, os jornais não economizaram elogios. O jornal L'Équipe escreveu que Endrick "não desapontou" em sua apresentação e que o Lyon se classificou "em grande parte" graças ao jovem brasileir.
O Le Parisien utilizou termos como "craque brasileiro" e "fenômeno". Na Espanha, o diário Marca utilizou uma manchete significativa: "Endrick sai da jaula", simbolizando a libertação do atleta de uma situação restritiva.globo
A repercussão que recai sobre Xabi Alonso transcende a mera avaliação tática de uma partida isolada. Representa questionamento mais profundo sobre gestão de talentos jovens, confiança em potencial emergente e coerência entre discurso público e ação prática.
Um técnico que afirmava entender a necessidade de Endrick ganhar experiência poderia ter oferecido aquela experiência no elenco que comanda, em vez de relegar o atacante às margens do projeto.
O contraste entre o Endrick contido no Real Madrid e o Endrick protagonista no Lyon deixou clara uma verdade que Alonso provavelmente teria preferido que permanecesse nas entrelinhas: nem sempre o problema reside no jogador.

