Dia do Bahia: Esquadrão completa 95 anos buscando voos mais altos

Dia do Bahia: Esquadrão completa 95 anos buscando voos mais altos

Na data inaugural de 2026, o Esporte Clube Bahia celebra 95 anos de uma história marcada por conquistas nacionais inéditas, tradição regional e, nos últimos tempos, uma transformação estrutural que reposicionou o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.

Fundado em 1º de janeiro de 1931, no mesmo ano em que conquistou seu primeiro título baiano, o Tricolor de Aço chega ao seu nonagésimo quinto aniversário em plena ascensão, consolidando resultados esportivos e recebendo investimentos que prometem elevar ainda mais seu patamar.

!Escudo Bahia – Esporte Clube Bahia esporteclubebahia](https://www.esporteclubebahia.com.br/simbolos/escudo-bahia/)## O legado de um clube pioneiro

A trajetória do Bahia se confunde com a história do futebol brasileiro. Em 1959, ao vencer a Taça Brasil contra o Santos de Pelé — que estava desfalcado na decisão por problemas de saúde —, o clube se tornou o primeiro campeão nacional do país e garantiu a vaga histórica para disputar a Copa Libertadores da América de 1960.

O Bahia foi, portanto, o primeiro representante brasileiro na competição continental, um feito pioneiro que antecedeu em décadas a participação massiva de clubes do país no torneio.

!Especial 1959 – Esporte Clube Bahia esporteclubebahia](https://www.esporteclubebahia.com.br/especial-1959/)O título de 1959 foi apenas o início de uma era vitoriosa. Com essa geração, o Esquadrão conquistou o pentacampeonato baiano consecutivo entre 1958 e 1962, além de três títulos da Copa Norte-Nordeste.

Quase três décadas depois, em 1988, o Bahia voltou a fazer história ao conquistar seu segundo Campeonato Brasileiro, desta vez sob o comando do lendário técnico Evaristo de Macedo, tornando-se o único clube nordestino bicampeão brasileiro.

Hegemonia regional consolidada

Com 51 títulos do Campeonato Baiano, o Bahia é não apenas o maior campeão estadual da Bahia — com 21 troféus a mais que o rival Vitória —, mas também o segundo maior campeão estadual do Brasil, atrás apenas do ABC do Rio Grande do Norte, que possui 57 conquistas.

A marca de 51 títulos foi alcançada em 2025, quando o Tricolor venceu o clássico Ba-Vi na final e ampliou sua hegemonia no futebol baiano.

Na esfera regional, o Bahia é o maior vencedor da Copa do Nordeste, com cinco títulos conquistados em 2001, 2002, 2017, 2021 e 2025.

A conquista de 2025 teve importância especial, pois representou a retomada da dobradinha Baiano-Nordeste pela primeira vez desde 2001, reforçando a força do clube nas competições regionais.

A transformação sob o Grupo City

O ano de 2023 marcou o início de uma nova era para o Bahia. A transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a entrada do City Football Group, conglomerado que controla clubes como Manchester City, Girona e outros ao redor do mundo, trouxe investimentos sem precedentes na história do clube.

Com 90% da participação acionária adquirida pelo grupo, o Bahia passou a contar com um compromisso de longo prazo de 90 anos e investimento mínimo de R$ 800 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão com aportes em infraestrutura.

Os números refletem o impacto imediato da gestão profissional. Entre 2023 e 2025, o Bahia investiu mais de R$ 400 milhões em contratações de jogadores, adquirindo atletas promissores e nomes consolidados.

O investimento anual cresceu regularmente: de R$ 97 milhões em 2023 para aproximadamente R$ 200 milhões em 2024.

Em contrapartida, o clube se tornou competitivo também nas vendas. A temporada de 2025 registrou mais de R$ 250 milhões arrecadados com negociações de atletas. A venda do atacante uruguaio Luciano Rodríguez ao NEOM SC, da Arábia Saudita, por 22 milhões de euros (cerca de R$ 126 milhões em valores fixos), tornou-se a maior transação da história do Bahia e do futebol nordestino.

Além dele, jogadores como Biel, Tiago e Rafael Ratão também foram negociados por valores expressivos, consolidando o Bahia como um polo de desenvolvimento e comercialização de talentos.

!1 milhão de tricolores: torcida do Bahia faz história em 2025 atarde](https://atarde.com.br/esportes/1-milhao-de-tricolores-torcida-do-bahia-faz-historia-em-2025-1348504)## Resultados esportivos em ascensão

Os números esportivos de 2025 coroaram a melhor temporada do Bahia no Campeonato Brasileiro desde a implantação dos pontos corridos em 2003.

O Esquadrão terminou na sétima colocação com 60 pontos, superando a marca de 53 pontos alcançada em 2024. Foram 17 vitórias, nove empates e 12 derrotas em 38 rodadas, além de 50 gols marcados e 46 sofridos.

A campanha de 60 pontos representa a segunda maior pontuação de um clube nordestino na era dos pontos corridos, ficando atrás apenas dos 68 pontos do Fortaleza em 2024.

O Bahia ainda estabeleceu outros recordes em 2025: melhor primeiro turno da história (33 pontos), maior número de vitórias como mandante (14 triunfos) e melhor aproveitamento na Arena Fonte Nova.

Pela primeira vez em sua história, o clube garantiu classificação consecutiva para a Copa Libertadores, tendo disputado a competição em 2025 e assegurado vaga na pré-Libertadores de 2026.

Apesar da eliminação na fase de grupos da Libertadores de 2025 — após vencer os três primeiros jogos e perder os três seguintes —, o Bahia demonstrou capacidade de competir em nível continental.

Na Copa do Brasil, o Tricolor alcançou as quartas de final, mantendo viva a busca por quebrar a marca de dez eliminações nesta fase da competição ao longo de sua história.

Estrutura de ponta em construção

Um dos pilares do projeto do Grupo City é a construção do novo centro de treinamento do Bahia, anunciado em 2025.

O CFA Bahia (City Football Academy) será erguido na Via Metropolitana, entre Camaçari e Lauro de Freitas, ocupando uma área superior a 1 milhão de metros quadrados, com 20 mil metros de área construída. O investimento previsto é de R$ 300 milhões.

O complexo contará com 12 campos de futebol, miniestádio com capacidade para mil pessoas, hotel para atletas, academia, centro médico e fisioterápico, alojamentos, refeitórios e escola de formação.

Segundo o CEO do City Football Group, Ferran Soriano, o CFA Bahia será o segundo maior centro de treinamento da rede do grupo, ficando atrás apenas do complexo de Manchester. A previsão de entrega é para 2028.

A infraestrutura de última geração visa atender todas as categorias do clube: base masculina e feminina, futebol profissional masculino e feminino, além da equipe técnica.

O centro estará localizado a 15 minutos do Aeroporto Internacional de Salvador e a 40 minutos da Arena Fonte Nova, facilitando a logística do clube em competições nacionais e internacionais.

Elenco qualificado e estabilidade técnica

A manutenção do técnico Rogério Ceni por três temporadas consecutivas representa um diferencial importante no projeto do Bahia.

Contratado em setembro de 2023 com a missão de evitar o rebaixamento, Ceni não apenas cumpriu o objetivo como conduziu o clube a dois títulos (Campeonato Baiano e Copa do Nordeste de 2025), classificação para duas Libertadores seguidas e a melhor campanha da história no Brasileirão.

Sob comando de Ceni, o Bahia disputou 160 jogos até o fim de 2025, com 75 vitórias, 28 empates e 37 derrotas, alcançando aproveitamento de 60,2%.

O treinador, que tem contrato até dezembro de 2027, deve se tornar em 2026 o segundo técnico com mais jogos à frente do Esquadrão, ultrapassando Pinguela (208 partidas) e ficando atrás apenas de Evaristo de Macedo.

A espinha dorsal do time é formada pelo meio-campo composto por Caio Alexandre, Jean Lucas e Everton Ribeiro, trio que garante equilíbrio entre marcação e criação.

Everton Ribeiro, ídolo do futebol brasileiro com duas Libertadores no currículo, renovou contrato até dezembro de 2026, reforçando o projeto para a temporada que se inicia. O camisa 10 já disputou 122 jogos pelo Bahia, com nove gols e 16 assistências em duas temporadas.

Além deles, o elenco conta com nomes como o goleiro Ronaldo, os zagueiros David Duarte e Ramos Mingo, o lateral Luciano Juba — que foi convocado para a Seleção Brasileira em 2025 —, e os atacantes Ademir, Erick Pulga e Willian José.

Desafios e perspectivas para 2026

O ano de 2026 apresenta um calendário desafiador para o Bahia. A temporada começará em 11 de janeiro com a estreia no Campeonato Baiano contra o Jequié, na Arena Fonte Nova.

Diferentemente dos anos anteriores, o clube não realizará pré-temporada na Europa, optando por preparar-se no CT Evaristo de Macedo devido ao início antecipado do Brasileirão, marcado para 28 de janeiro.

A principal missão do primeiro semestre será superar duas fases preliminares da Libertadores para alcançar a fase de grupos. O Bahia enfrentará o O'Higgins, do Chile, na segunda fase, com jogos previstos para 18 e 25 de fevereiro — o último mando será na Arena Fonte Nova.

Caso avance, terá pela frente um dos times que saírem do confronto entre representante da Bolívia, Deportivo Táchira (Venezuela) e Tolima (Colômbia).

O técnico Rogério Ceni reconheceu que 2026 será mais exigente que o ano anterior. "Precisamos ser mais competitivos em 2026, porque será um ano que já começa em janeiro e, no nosso caso, em fevereiro, com a pré-Libertadores intercalada com os jogos do Brasileirão", afirmou o treinador.

O calendário prevê entre 51 e 77 jogos para o Bahia em 2026, dependendo do desempenho nas competições eliminatórias.

O desafio principal continua sendo melhorar o aproveitamento como visitante, ponto fraco evidenciado em 2025, quando o time somou apenas 26,3% de aproveitamento fora de casa no Brasileirão.

Além disso, o clube busca finalmente avançar além das quartas de final da Copa do Brasil, fase em que foi eliminado dez vezes ao longo da história.

Rivalidade e paixão nas arquibancadas

A torcida do Bahia, estimada em mais de seis milhões de pessoas, é um dos maiores patrimônios do clube. Em 2025, o Esquadrão foi a equipe brasileira que mais jogou no ano, com 80 partidas disputadas.

A Arena Fonte Nova, com capacidade para 50 mil pessoas, tornou-se uma fortaleza tricolor, registrando média de público superior a 38 mil pagantes por jogo em 2025.

A rivalidade com o Vitória, conhecida como Ba-Vi, é uma das mais intensas do futebol brasileiro.

O clássico, que teve seu primeiro confronto em 1932, já ultrapassou 500 edições e é considerado pela revista inglesa FourFourTwo um dos 50 maiores clássicos do mundo. O Bahia lidera o retrospecto geral com 196 vitórias contra 153 do Vitória, além de 154 empates.

Aos 95 anos, o Esporte Clube Bahia vive o momento mais promissor de sua história recente. Com estrutura profissional, investimentos robustos, elenco qualificado e gestão de longo prazo, o Tricolor de Aço busca não apenas repetir as glórias de 1959 e 1988, mas estabelecer-se definitivamente como força constante do futebol brasileiro e sul-americano.

A celebração do nonagésimo quinto aniversário é apenas mais um capítulo de uma trajetória que, como diz o hino, se resume em "mais um título de glória".

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Gustavo Ferreira

Gustavo Ferreira é o editor-chefe e um historiador do esporte com uma paixão por narrativas épicas. Sua experiência é dedicada a cobrir as Notícias e Destaques diários, explorar a rica História do Esporte e desvendar Fatos, Curiosidades e os recordes mais inusitados.