Catherine Drysdale, gestora de portfólio de 35 anos de Sydney, entrou para os livros de história ao se tornar a primeira mulher a vencer a Maratona do Gelo da Antártida em seus 20 anos de existência.
A atleta australiana cruzou a linha de chegada da edição de 2025 com o tempo de 3h48min43s, superando todos os competidores e finalizando à frente do russo Denis Nazarov e do belga Rune Buyl, que ocuparam a segunda e terceira colocações, respectivamente.youtube
A prova, realizada no sábado 13 de dezembro de 2025, aconteceu no glaciar Union, localizado no continente antártico a aproximadamente 1.000 quilômetros do Polo Sul.
O evento reuniu atletas de 20 países diferentes dispostos a enfrentar um dos desafios de resistência mais extremos do planeta.youtube
Condições adversas no continente gelado
Os participantes enfrentaram temperaturas próximas a 15 graus Celsius negativos, ventos fortes e uma superfície composta por neve compactada ao longo dos 42,2 quilômetros do percurso padrão de maratona.
A corrida teve início às 12h30 no horário do Chile (GMT-3) sob céu ensolarado, mas as condições climáticas se tornaram progressivamente mais desafiadoras.youtube
A Maratona do Gelo da Antártida ocorre a 700 metros acima do nível do mar, o que minimiza problemas relacionados à altitude. No entanto, o frio intenso e o terreno gelado representam os principais obstáculos para os corredores.
O glaciar Union, situado a cerca de 3.010 quilômetros do extremo sul do Chile, oferece um cenário de isolamento extremo para o evento.
Quebrando barreiras históricas
A vitória de Drysdale marca um momento significativo para a competição, que foi estabelecida em 2006 por Richard Donovan e a Polar Running Adventures.
Ao longo de suas edições anteriores, o evento registrou apenas uma ocasião em que nenhuma mulher completou a maratona: em 2007, quando não houve finalistas femininas na prova de 42 quilômetros.
Após cruzar a linha de chegada, a atleta australiana expressou a dificuldade do desafio: "Já corri outras maratonas, mas esta é muito dura. É diferente de tudo que já fiz. Cada vez que sofria, lembrava a mim mesma que estava correndo na Antártida".
Drysdale destacou ainda o apoio recebido durante a prova: "Às vezes não conseguia sair daquele sofrimento, mas me sinto tão bem de estar aqui, e o apoio é incrível, as pessoas nas estações de ajuda e o estímulo ao longo do caminho, simplesmente um evento incrível".
Pódio feminino completo
Além da vitória de Catherine Drysdale, a polonesa Joanna Drewnicka-Ogrodnik conquistou o segundo lugar entre as mulheres, completando o percurso em 4h18min05s.
A competição feminina demonstrou o crescente interesse e participação de atletas do sexo feminino em eventos de resistência extrema realizados em ambientes polares.
Uma prova de elite
Reconhecida pelo Guinness World Records como a maratona mais meridional da Terra, a Maratona do Gelo da Antártida exige dos participantes não apenas preparo físico excepcional, mas também recursos financeiros consideráveis.
A inscrição para o evento gira em torno de 24.000 euros, valor que inclui voos desde Punta Arenas, no Chile, até o local da prova, alojamento, estações de apoio, medalhas e registros fotográficos e audiovisuais profissionais.
A edição de 2025, que celebrou o 20º aniversário da competição, consolidou a Maratona do Gelo da Antártida como um dos eventos mais desafiadores do calendário mundial de corridas.
A prova permite ainda que maratonistas completem o desafio de correr em todos os sete continentes, além de possibilitar o "grand slam de maratonas" — que inclui maratonas nos sete continentes e no Polo Norte.youtube
A conquista de Catherine Drysdale não apenas estabelece um novo capítulo na história da competição, mas também inspira futuras gerações de corredoras a superar limites em condições extremas.
Carregando a bandeira australiana ao cruzar a linha de chegada, Drysdale gravou seu nome como pioneira em um dos ambientes mais inóspitos do planeta.youtube

