A 14ª edição do Prêmio Brasil Paralímpico reuniu na noite de terça-feira, 9 de dezembro, o que há de melhor no paradesporto nacional.
Realizado no Tokio Marine Hall em São Paulo e transmitido ao vivo pelo SporTV 3, o evento entregou 34 troféus que reconheceram os destaques de 25 modalidades paralímpicas durante a temporada de 2025.
Os holofotes da noite concentraram-se na natação, modalidade que reafirmou seu domínio no cenário paralímpico brasileiro. Carol Santiago e Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, foram eleitos os melhores atletas do ano, repetindo o triunfo conquistado em 2024.
A pernambucana Carol Santiago consagrou-se como a melhor atleta feminina, consolidando sua posição entre os maiores destaques do paradesporto internacional.
Carol Santiago é nativa de Recife e nasceu com a síndrome de Morning Glory, uma alteração congênita na retina que reduz significativamente o campo de visão. Aos quatro anos iniciou-se na natação convencional, modalidade que praticou até o final de 2018, quando migrou para o esporte paralímpico ao conhecer o Grêmio Náutico União (GNU).
Sua trajetória marcou-se por superações constantes: aos 17 anos enfrentou uma perda completa de visão durante oito meses, afastando-se da natação, mas retornou uma década depois aos 27 anos para reescrever sua história nos esportes.
O desempenho de Carol em 2025 consolidou-a como a maior medalhista da história paralímpica brasileira. Participando nos Jogos Paralímpicos de Tóquio em 2021, conquistou cinco medalhas: três ouros nas provas de 50m livre, 100m livre e 100m peito, além de uma prata no revezamento 4x100m livre misto e um bronze nos 100m costas.
Em Paris 2024, sua segunda Paralimpíada, adicionou mais cinco medalhas ao seu currículo: três ouros nos 50m livre da categoria S13, 100m livre e 100m costas da categoria S12, seguidos de duas pratas.
No Campeonato Mundial disputado em Singapura durante este ano, Carol demonstrou sua invencibilidade nos 50m e 100m livres, mantendo-se imbatível em todas as edições mundiais que participou: Londres 2019, Ilha da Madeira 2022, Manchester 2023 e Singapura 2025.
Ainda no mesmo evento, tornou-se tricampeã dos 100m costas, reafirmando sua superioridade técnica e física na classe S12, destinada a atletas com baixa visão. Somando todas as suas conquistas internacionais, a nadadora detém 13 medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais, além de nove títulos em Jogos Parapan-Americanos.
Gabrielzinho, por sua vez, conquistou o reconhecimento masculino através de performances igualmente memoráveis. Na classe S2, a segunda de maior comprometimento físico-motor, venceu os 50 e 100 metros nado costas e os 200 metros livre no Campeonato Mundial de Singapura.
Como ocorrera no ano anterior, sua vitória no prêmio trouxe reconhecimento indireto ao seu técnico Fábio Antunes, eleito melhor treinador de modalidades individuais do ano.
A cerimônia homenageou atletas de disciplinas tão variadas quanto atletismo, badminton, bocha, canoagem, ciclismo, escalada, esgrima em cadeira de rodas, esportes de inverno, futebol de cegos, futebol PC para paralisados cerebrais, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, remo, rúgbi em cadeira de rodas, taekwondo, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo e vôlei sentado.
A escalada paralímpica figurou entre os premiados pela primeira vez na história do evento, modalidade que integrará o cronograma dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028.
Verônica Hipólito, velocista do atletismo na classe T36 referente à paralisia cerebral, conquistou o prêmio de Atleta da Galera através de votação popular, que registrou mais de 75 mil votos.
A premiação marcou-se pela presença exclusiva de mulheres entre as seis finalistas, um diferencial em relação às edições anteriores do evento. Ao aceitar o prêmio, Verônica salientou a importância dessa representatividade feminina no paradesporto.
Alessandra Oliveira, nadadora campeã mundial e recordista nos 100 metros peito da classe SB4, foi eleita atleta revelação, reconhecendo seu destaque no início de carreira.
O Praia Clube de Uberlândia, em Minas Gerais, recebeu o Prêmio Loterias Caixa por sua atuação como um dos maiores apoiadores do esporte paralímpico durante o ano.
Entre as demais categorias especiais reconhecidas, o Prêmio Aldo Miccolis homenageou Sílvia Grecco, secretária Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, pelo trabalho de desenvolvimento do esporte adaptado no Brasil.
No âmbito técnico coletivo, Alessandro Tosim, comandante da Seleção Brasileira Feminina de Goalball que conquistou o título da Copa América, foi premiado como melhor treinador dessa categoria.
A noite evidenciou o amadurecimento e a excelência do paradesporto brasileiro, refletindo-se no desempenho consistente de seus atletas em competições mundiais durante 2025.
Carol Santiago permanece como símbolo dessa evolução, inscrevendo seu nome entre as maiores legendas do esporte paralímpico não apenas nacional, mas internacional, consolidando uma carreira repleta de superações pessoais e recordes que inspiram gerações futuras de atletas.

