A delegação brasileira entra com status de favorita na 25ª edição do Mundial Júnior de Surfe da World Surf League, que acontece entre 11 e 18 de janeiro em Urbiztondo Beach, San Juan, nas Filipinas.
Com cinco atletas classificados e nove títulos conquistados ao longo da história da competição, o país busca manter sua posição como maior potência mundial na categoria masculina.lance
A competição marca o início oficial do calendário esportivo da WSL em 2026 e reúne 48 surfistas de até 20 anos — 24 homens e 24 mulheres — classificados através dos rankings regionais de sete diferentes regiões do mundo.
Pelo segundo ano consecutivo, as ondas filipinas de Urbiztondo Beach sediam o evento, oferecendo direitas consistentes que podem atingir entre 8 e 10 pés durante a temporada de pico.surfguruyoutube
Representantes brasileiros na disputa
No masculino, o Brasil conta com três nomes de peso. Rickson Falcão, de 18 anos e natural de Saquarema, chega como campeão sul-americano júnior após campanha consistente que incluiu vitórias no Peru e em sua cidade natal, além do vice-campeonato na etapa final do Chile.
O atleta integra o Centro de Treinamento Leon Neves e faz parte do projeto Jovens Talentos do Comitê Olímpico Brasileiro.
Gabriel Klaussner, de Ubatuba, representa o litoral paulista com histórico de participações em etapas do Challenger Series e do circuito profissional.
Completando o trio masculino, Ryan Kainalo, também de Ubatuba, traz experiência significativa com múltiplas finais em mundiais juniores anteriores e conquistas importantes, incluindo o título mundial ISA júnior em 2023.noticiasdaspraias
No feminino, Luara Mandelli, de 16 anos e natural de Matinhos, no Paraná, é a atual campeã do WSL Pro Júnior de Saquarema e integra a Seleção Brasileira Júnior.
A atleta faz parte dos projetos Jovens Talentos do COB e Geração Olímpica, terminando 2024 entre as Top 10 do ranking do circuito profissional brasileiro.mormaii
Já Laura Raupp, aos 19 anos, vive a melhor temporada da carreira.
A catarinense conquistou em 2025 o título brasileiro, venceu o QS 4.000 de Guarapari e obteve resultados expressivos no Challenger Series, ocupando atualmente a nona posição do ranking dessa divisão, a apenas 95 pontos da zona de classificação para o Championship Tour.olimpiadatododia
Hegemonia histórica brasileira
O Brasil consolidou-se como a maior força do Mundial Júnior ao longo das 24 edições anteriores, acumulando nove títulos na categoria masculina.
A galeria de campeões brasileiros inclui nomes que posteriormente brilharam na elite do surfe mundial: Pedro Henrique (2000), Adriano de Souza (2003), Pablo Paulino bicampeão (2004 e 2007), Caio Ibelli (2011), Gabriel Medina (2013), Lucas Silveira (2015), Mateus Herdy (2018) e Lucas Vicente (2019).waves
No feminino, a conquista veio apenas em 2024, quando Luana Silva tornou-se a primeira brasileira a erguer o troféu nas Filipinas, quebrando um jejum histórico.
A paulista, que também participou dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, descreveu o título como "um degrau importante no caminho para o tour" e uma confirmação de que "todo o trabalho e esforço valeram a pena".olimpiadatododia
"Esta é uma competição que tem muita importância para o surfe pois deu às primeiras oportunidades para atletas que depois se tornaram campeões mundiais. Ela é uma vitrine mundial e os surfistas já entenderam o peso que tem.
O Brasil, por exemplo, se tornou uma referência e tem um histórico muito vencedor nos juniores", afirma Ivan Martinho, presidente da WSL na América Latina.aosmidia
Importância estratégica da competição
Além do prestígio de um título mundial, o vencedor do Mundial Júnior garante vaga automática no WSL Challenger Series, divisão de acesso à elite do surfe mundial e porta de entrada para o Championship Tour.
Essa característica transforma a competição em trampolim essencial para jovens talentos que aspiram à carreira profissional no mais alto nível.surfguru
A competição funciona como vitrine para a identificação de futuros campeões mundiais.
A lista de ex-campeões juniores que alcançaram o topo do CT inclui, além dos brasileiros Medina e Adriano de Souza, nomes como o australiano Ethan Ewing e o havaiano Andy Irons.waves
Desafios e concorrência internacional
Apesar da hegemonia brasileira no masculino, a competição apresenta forte concorrência. A Austrália possui seis títulos mundiais juniores na categoria masculina e costuma enviar delegações numerosas e bem preparadas.
Na edição de 2024, o indonésio Bronson Meydi conquistou o título masculino, demonstrando o crescimento de outras regiões no cenário júnior.waves
Os Estados Unidos, que nunca conquistaram o título masculino júnior, buscam quebrar esse jejum com representantes qualificados. O país possui apenas um título na categoria, conquistado por Kirra Pinkerton no feminino em 2018.
Entre as favoritas no feminino, destacam-se a campeã mundial da WSL de 2023, Sierra Kerr (Austrália), a vice-campeã de 2024, Winter Vincent (Austrália), e a portuguesa Maria Salgado, que venceu três dos cinco eventos regionais europeus que disputou em 2025.
A edição de 2026 representa oportunidade crucial para o Brasil ampliar sua hegemonia histórica e confirmar a solidez de seu sistema de formação de base, que combina estrutura de centros de treinamento, apoio do Comitê Olímpico e Confederação Brasileira de Surf, além de políticas de desenvolvimento de jovens talentos em regiões estratégicas como Saquarema, Ubatuba e litoral catarinense.

