O Botafogo venceu o Palmeiras por 2 a 0, no CERET, em São Paulo, assumiu a liderança do Grupo D e manteve vivas as chances de classificação para a fase de mata-mata da Copinha Feminina 2025.
O resultado derrubou o time alviverde na tabela, decretou a eliminação palmeirense e reforçou o protagonismo das jovens alvinegras na disputa.
O placar construído no segundo tempo, com gols de Isabelly e Tailane, recolocou o Botafogo no centro da briga por vaga entre as melhores campanhas, ainda que a permanência na competição dependa da combinação de resultados em outras chaves.
Ao mesmo tempo, a derrota consolidou a frustração do Palmeiras, que chegou à última rodada precisando vencer para seguir na competição, mas encerrou a participação no terceiro lugar do grupo.
Jogo sob chuva, equilíbrio inicial e decisão na etapa final
Debaixo de chuva na capital paulista, o confronto direto entre Botafogo e Palmeiras marcou a terceira e última rodada da fase de grupos, em cenário de forte pressão para os dois lados.
O Palmeiras começou melhor, tentando controlar a posse de bola e impondo intensidade no campo ofensivo. As Palestrinas criaram as primeiras oportunidades, com finalizações que passaram perto do gol adversário e exigiram atenção da defesa alvinegra.
O Botafogo, porém, conseguiu equilibrar as ações ainda na primeira etapa. Com o passar do tempo, a equipe carioca ajustou a marcação, passou a encaixar melhor a transição ofensiva e encontrou mais espaços pelos lados do campo.
Em um duelo truncado, com poucas chances claras, o jogo ficou marcado também por um episódio preocupante: um choque de cabeça envolvendo a meio-campista Samara, do Palmeiras, que precisou deixar o gramado de ambulância, provocando uma paralisação de cerca de 30 minutos.
Após a retomada da partida, o ritmo caiu momentaneamente, mas, ainda assim, os dois times conseguiram chegar ao ataque.
O Palmeiras ameaçou em chute de Vitorinha, enquanto o Botafogo respondeu com finalizações de Tailane, obrigando a goleira Bruna Hirata a fazer boa defesa.
Na volta do intervalo, o Botafogo assumiu postura mais agressiva. Ciente da necessidade da vitória para seguir com chances de classificação, o time carioca adiantou as linhas, pressionou a saída de bola palmeirense e passou a dominar territorialmente o confronto.
As oportunidades se multiplicaram, ainda que a equipe esbarrasse, em um primeiro momento, na própria ansiedade e em erros de finalização.
O Palmeiras ainda encontrou espaços para contra-atacar e chegou a acertar o travessão com Giselly, em uma das melhores chances alviverdes no jogo. Porém, a maior consistência botafoguense na segunda etapa acabou pesando na reta final.
Gols de Isabelly e Tailane definem o confronto
O gol que abriu o placar saiu aos 35 minutos do segundo tempo. Após boa construção ofensiva, Isabelly recebeu na área, ganhou da marcação e finalizou por baixo da goleira, fazendo 1 a 0 e premiando a pressão exercida pelo Botafogo.
O lance mudou definitivamente o tom da partida: o Palmeiras, que já precisava vencer, viu a situação ficar ainda mais dramática.
Pouco depois, aos 42 minutos, Tailane ampliou. Em jogada trabalhada pelo lado do campo, a atacante recebeu cruzamento e concluiu com categoria, marcando o segundo gol alvinegro e selando a vitória por 2 a 0.
O segundo gol desestabilizou de vez o time palmeirense, que já sentia o desgaste físico e emocional de um jogo decisivo sob chuva, com paralisação longa e forte pressão por resultado.
Os dois gols confirmaram a eficiência do Botafogo no momento mais agudo da partida.
Mesmo sem ter dominado todo o confronto, a equipe carioca mostrou maturidade para aproveitar a superioridade na etapa final e transformar o controle do jogo em vantagem no placar.
Atuação botafoguense e destaques individuais
O Botafogo se apoiou em um conjunto sólido, com boa organização defensiva e capacidade de acelerar o jogo no campo ofensivo. A equipe, comandada por Alex Alves, demonstrou consistência tática e competitividade, especialmente após o intervalo.
Jogadoras como Nayara, responsável por organização no meio-campo e participação direta na construção do primeiro gol, e Tailane, protagonista nas finalizações, foram determinantes para o resultado.
Isabelly, autora do gol que abriu o caminho da vitória, personificou a capacidade de decisão das Crias Gloriosas, atuais campeãs brasileiras da categoria. Na defesa, a equipe se mostrou segura para neutralizar as principais investidas alviverdes, especialmente nos momentos em que o Palmeiras buscou o jogo aéreo.
O comportamento coletivo também chamou atenção. Mesmo diante da longa interrupção por conta do atendimento médico à jogadora palmeirense, o Botafogo conseguiu retomar o foco, reorganizar-se em campo e ajustar o ritmo para os minutos finais.
Palmeiras se despede com frustração e campanha irregular
Do outro lado, o Palmeiras encerrou a participação na Copinha Feminina com sentimento de frustração.
A equipe chegou à última rodada com quatro pontos e dependia de uma vitória para avançar com maior segurança, mas sucumbiu diante de um adversário direto na disputa pela vaga.
A trajetória palmeirense no grupo evidenciou certa irregularidade. O time estreou com goleada convincente por 6 a 1 sobre a UDA-AL, depois empatou com o Grêmio por 1 a 1 e, na partida decisiva, acabou derrotado pelo Botafogo.
O desempenho ofensivo, que havia sido o ponto alto nas primeiras rodadas, não se repetiu no duelo final, em que a equipe encontrou mais dificuldades para furar a defesa alvinegra.
Apesar da eliminação precoce na Copinha Feminina, a temporada do elenco sub-20 feminino do Palmeiras registrou campanhas competitivas, com presença em fases avançadas de Paulista e Brasileiro e vice-campeonato da Brasil Ladies Cup.
No entanto, o desfecho na competição de base em São Paulo evidencia também a necessidade de manutenção de regularidade em jogos decisivos.
Situação do Grupo D e cenário de classificação
Com a vitória sobre o Palmeiras, o Botafogo chegou a seis pontos, terminou a rodada na liderança provisória do Grupo D e se colocou em posição de disputa por vaga entre as melhores campanhas.
O equilíbrio da chave, que também conta com Grêmio e UDA-AL, tornou a combinação de resultados decisiva para o desenrolar da classificação.
O Grêmio, que enfrentou a UDA na sequência da rodada, confirmou a força na competição ao vencer e chegar a sete pontos, assumindo a liderança definitiva do grupo.
O resultado empurrou o Botafogo para a segunda colocação, com seis pontos, e deixou a equipe carioca na dependência da comparação com outros segundos colocados para saber se avançaria às quartas de final.
Já o Palmeiras fechou a participação com quatro pontos, em terceiro lugar, sem chances de seguir na competição. A UDA-AL, por sua vez, encerrou a fase de grupos sem pontuar, completando a tabela da chave.
O modelo de disputa da Copinha Feminina, que prevê a classificação dos líderes de cada grupo e das melhores campanhas entre as equipes que ficam em segundo lugar, elevou a importância da vitória botafoguense.
O triunfo por 2 a 0 não apenas representou um resultado direto sobre um rival tradicional, mas também contribuiu com saldo de gols, critério relevante na comparação entre os segundos colocados.
Peso simbólico da vitória para o projeto feminino do Botafogo
A vitória sobre o Palmeiras, em contexto de confronto direto por vaga e sob pressão, reforça o momento de crescimento do projeto feminino do Botafogo nas categorias de base.
As Crias Gloriosas, que já vinham de conquistas importantes no cenário nacional, confirmaram mais uma vez capacidade de competir em alto nível contra adversários estruturados e com histórico recente de bons resultados.
O desempenho na Copinha Feminina, independentemente do desfecho da classificação geral, consolida uma geração que alia competitividade, personalidade em jogos grandes e evolução tática.
Em um cenário de fortalecimento do futebol feminino de base no país, conquistas como essa vitória sobre o Palmeiras tendem a ganhar peso simbólico e técnico, funcionando como vitrine para atletas, comissão técnica e para o próprio clube.
Mesmo dependendo de outros resultados, o Botafogo deixa clara a condição de equipe capaz de incomodar rivais tradicionais e disputar espaço entre os protagonistas da competição.
A atuação segura, o aproveitamento das oportunidades na etapa final e a resposta diante da necessidade de vencer compõem um retrato de maturidade competitiva que ultrapassa o placar.
O 2 a 0 no CERET, portanto, não se resume a três pontos.
Representa afirmação de um trabalho em curso, impacto direto na tabela da Copinha Feminina e a manutenção de um Botafogo presente, competitivo e ainda vivo na briga por uma vaga entre as melhores equipes da categoria.

