A insistência sobre Neymar tornou-se motivo de incômodo visível para Carlo Ancelotti durante a coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, 5 de dezembro, após o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos.
O técnico italiano, que já havia sido questionado sobre o craque do Santos em seu primeiro posicionamento, reencontrou o tema em uma segunda pergunta e não hesitou em deixar clara sua posição: "Não tenho dívida com ninguém".
A declaração encerra uma série de interrogações que dominam as discussões sobre a Seleção Brasileira nas últimas semanas. Durante a coletiva, Ancelotti esclareceu que não se prende a compromissos emocionais ou históricos ao tomar suas decisões sobre convocação.
Sua resposta reflete uma abordagem estritamente técnica e objetiva para a composição do elenco que disputará o mundial em 2026.
O técnico enfatizou que a lista definitiva será confeccionada apenas em maio, três meses antes do início da competição. Segundo Ancelotti, essa data foi escolhida especificamente para garantir que os atletas convocados estejam em seu melhor momento físico e técnico.
Até lá, o Brasil ainda disputará amistosos de preparação contra Croácia e França em março, que oferecerão novas oportunidades de avaliação.
"Se Neymar merecer estar na Copa do Mundo, se estiver bem, estiver melhor que outro ou como outro vai jogar a Copa do Mundo e ponto", afirmou Ancelotti durante a entrevista coletiva realizada em Washington.
Essa posição deixa em aberto a possibilidade de convocação do camisa 10, porém condicionada exclusivamente a critérios objetivos de desempenho e condição física.
A situação de Neymar apresenta complexidades que justificam a cautela técnica de Ancelotti. O atleta enfrentou múltiplas lesões durante a temporada de 2025, incluindo problemas musculares e uma lesão no menisco do joelho esquerdo que praticamente o afastou das atividades.
Apesar das dificuldades, registra números de 27 jogos, 11 gols e 4 assistências em 2025, reduzindo as expectativas sobre sua disponibilidade no auge do que foi seu desempenho em fases anteriores da carreira.
O técnico reafirmou que outros atletas merecem igual consideração. "Se falamos de Neymar, temos que falar de outros jogadores, porque temos que pensar no Brasil com ou sem Neymar, assim como com outros atletas", complementou Ancelotti.
Essa colocação reflete o entendimento de que a Seleção Brasileira possui recursos ofensivos variados e qualificados para montar um ataque competitivo independentemente da presença do jogador do Santos.
Sobre o calendário de preparação, Ancelotti indicou que a estrutura do planejamento está praticamente definida para os próximos meses.
A Granja Comery, centro de treinamentos da CBF, servirá como base inicial para o trabalho técnico, seguido de um amistoso de despedida no território brasileiro antes do embarque para os Estados Unidos. Esse estrutura visa chegar à Copa do Mundo com um ambiente de unidade e confiança.
Os adversários do Brasil na fase de grupos, definidos no sorteio de 5 de dezembro, são Marrocos, Escócia e Haiti. Ancelotti respeitou profundamente o nível competitivo de cada um dos rivais. Marrocos, vice-campeã de 2022, mantém uma sequência de resultados sólidos.
A Escócia conquistou seu lugar através de desempenho consistente nas eliminatórias europeias. O Haiti, que disputa sua segunda participação em Copas do Mundo, também recebeu reconhecimento técnico igual ao dos demais concorrentes.
A postura de Ancelotti em relação ao tema Neymar representa uma mudança na narrativa que cercava a Seleção Brasileira nos últimos anos. Menos baseada em apelos históricos ou em pressões midiáticas, a decisão sobre convocações será orientada exclusivamente por métricas de desempenho e potencial competitivo.
Essa metodologia, claramente exposta pelo treinador, não deixa espaço para dúvidas sobre os parâmetros que guiarão suas escolhas até maio de 2026.

